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TRIBUNAL DO JÚRI

Carlinhos Bezerra diz ao júri que crime foi o maior erro de sua vida e afirma se arrepender todos os dias

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Empresário afirmou durante o júri que cometeu o maior erro da vida, negou ter perseguido a ex-companheira e disse que perdeu o controle antes dos disparos

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, réu confesso pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno, afirmou nesta sexta-feira (31), durante o Tribunal do Júri, que se arrepende diariamente do crime cometido em janeiro de 2023 e que convive todos os dias com o peso da decisão que tomou.

“Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias”, declarou.

Durante cerca de duas horas de interrogatório, Carlinhos respondeu aos questionamentos da defesa, do Ministério Público e da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Em outro momento do depoimento, afirmou que não passa um dia sem lamentar a morte de Thays e reconheceu que destruiu a própria vida ao cometer o crime.

Segundo o empresário, o relacionamento com Thays durou três anos e sete meses e, apesar das constantes separações e reconciliações, os dois chegaram a planejar o casamento. Ele afirmou que ainda acreditava em uma reconciliação quando decidiu procurá-la após o fim do relacionamento.

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Carlinhos relatou que, como ambos compartilhavam a localização dos celulares, viu que Thays estava na rodoviária e foi até o local para conversar. Depois, afirmou que passou a seguir o veículo da ex-companheira apenas para descobrir quem era o homem que a acompanhava.

Ao falar sobre o dia do crime, o empresário disse que encontrou novamente Thays e Willian quando seguia para um shopping. Segundo ele, parou o carro ao lado do casal para perguntar por que a ex-companheira não atendia suas ligações. Na sequência, afirmou que Willian caminhou em direção ao veículo e o insultou.

“Na hora em que ele veio para a minha direção e me xingou, eu perdi o controle”, disse.

O réu afirmou que o primeiro disparo tinha como alvo Willian, e não Thays, e alegou que sofreu um “apagão”, razão pela qual não se recorda dos demais momentos da ação.

Questionado pelo Ministério Público sobre o motivo de essa versão não ter sido apresentada durante a investigação, respondeu que havia contado os fatos ao antigo advogado, mas que, após ser preso, mal conseguia falar.

Carlinhos também negou ter perseguido Thays, apesar das provas reunidas pela Polícia Civil. Segundo ele, as anotações encontradas em sua residência eram apenas um hábito pessoal de registrar informações, enquanto os deslocamentos da ex-companheira eram acompanhados por meio do compartilhamento de localização dos celulares.

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O empresário ainda negou que as ligações insistentes configurassem perseguição. “Eu não gosto de escrever. Eu gosto de falar”, afirmou.

Ao explicar por que deixou Cuiabá após o crime, Carlinhos disse que seguiu para Campo Verde para tentar compreender o que havia acontecido antes de se apresentar à polícia.

“Em momento algum pensei em fugir”, declarou.

O empresário também negou ter descumprido medidas cautelares impostas pela Justiça e criticou parte da cobertura do caso, afirmando que algumas informações divulgadas não correspondiam à realidade.

Carlinhos Bezerra responde pelo assassinato de Thays Machado, de 44 anos, e Willian César Moreno, de 30 anos. O crime ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá, quando o casal aguardava um carro de aplicativo e foi surpreendido pelos disparos. Conforme a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Thays foi atingida por três tiros e Willian por disparos no braço e no peito.

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Justiça autoriza Carlinhos Bezerra a participar de júri sem algemas e sem uniforme prisional

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Réu confesso pelas mortes de Thays Machado e Willian César Moreno será julgado nesta sexta-feira (31), em Cuiabá; decisão também garante uso de equipamentos para apresentação da defesa

A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira autorizou que o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, participe da sessão do Tribunal do Júri, marcada para esta sexta-feira (31), em Cuiabá, sem o uso de algemas e sem uniforme prisional.

A decisão atende a um pedido apresentado pelo advogado Elson Marcelino da Silva Junior, que argumentou ser necessário preservar as garantias processuais do réu e evitar que sua aparência durante o julgamento influencie os jurados.

Na decisão, a magistrada ressaltou que a autorização poderá ser revista caso a equipe responsável pela escolta considere necessária a adoção de medidas de contenção por questões de segurança.

Carlinhos Bezerra é réu confesso pelos assassinatos da ex-companheira, Thays Machado, de 44 anos, e do namorado dela, Willian César Moreno, de 30 anos. O casal foi morto a tiros em janeiro de 2023, em Cuiabá.

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Além de autorizar que o réu participe do julgamento sem algemas e sem uniforme prisional, a juíza permitiu que a defesa utilize equipamentos para exibição de vídeos, documentos e demais peças processuais já anexadas aos autos, além de acesso à internet durante a sustentação oral.

Na decisão, a magistrada reforçou que somente poderão ser exibidos em plenário documentos e mídias previamente juntados ao processo, conforme determina o artigo 479 do Código de Processo Penal, sendo proibida a apresentação de provas não comunicadas previamente à parte contrária.

No mesmo despacho, Mônica Perri determinou que a unidade prisional onde Carlinhos Bezerra está custodiado, em Várzea Grande, mantenha o acompanhamento e o tratamento médico necessários, devendo comunicar imediatamente ao Juízo caso haja qualquer impedimento para a assistência adequada.

A decisão também registra que o réu recusou, em ocasiões anteriores, o uso de insulina prescrita pela equipe médica, além de não aceitar uma saída para consulta ortopédica e realização de exame de imagem. O documento ainda informa que procedimentos cirúrgicos autorizados, como uma cirurgia de catarata e outra para retirada de varizes, não chegaram a ser realizados.

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