Justiça
A pedido da PGR, ministro Gilmar Mendes determina busca e apreensão de armas em poder da deputada Carla Zambelli
A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal federal (STF), determinou a busca e apreensão de armas de fogo e munições da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) que não foram entregues espontaneamente por ela à Polícia Federal (PF), conforme determinado em decisão anterior nos autos das Petições (PETs 10665 e 10674), quando também foi suspenso seu porte de arma.
Na véspera do segundo turno das eleições, a deputada perseguiu um militante de oposição ao governo Bolsonaro, com arma em punho, pelas ruas da capital paulista.
A PGR informou ao ministro que, de acordo com levantamento realizado no sistema da Polícia Federal e informado nos autos, os investigadores identificaram que, além da pistola utilizada no dia dos fatos e entregue à PF, a parlamentar possui mais um revólver e duas pistolas registrados em seu nome. Por esse motivo, a sub-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, requereu ao STF uma ampliação da medida cautelar, para que essas armas fossem apreendidas, assim como todas as munições em seu poder, por considerar que a posse e o manejo de armas de fogo pela parlamentar oferecem grave risco para a ordem pública.
Ao atender o pedido, o ministro Gilmar Mendes considerou que a recusa da parlamentar em entregar todas as armas registradas em seu nome, mesmo após a suspensão do porte, recomenda a adoção de providências “mais contundentes”, que sejam proporcionais à gravidade dos fatos narrados nos autos, e, também, necessárias para coibir novas afrontas à autoridade do STF.
Pedido indeferido
O ministro indeferiu o pedido de busca e apreensão no gabinete de Carla Zambelli por não haver qualquer indício de que os armamentos estivessem no interior do Congresso Nacional. Os mandados de busca e apreensão abrangeram a residência de Zambelli na capital paulista e o apartamento funcional, em Brasília (DF), sendo este último mediante articulação direta com a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados.
Justiça
Carlinhos Bezerra diz ao júri que crime foi o maior erro de sua vida e afirma se arrepender todos os dias
Empresário afirmou durante o júri que cometeu o maior erro da vida, negou ter perseguido a ex-companheira e disse que perdeu o controle antes dos disparos
O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, réu confesso pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno, afirmou nesta sexta-feira (31), durante o Tribunal do Júri, que se arrepende diariamente do crime cometido em janeiro de 2023 e que convive todos os dias com o peso da decisão que tomou.
“Assumo que errei como nunca poderia ter errado na minha vida. Digo com certeza que essa coisa me corrói todos os dias”, declarou.
Durante cerca de duas horas de interrogatório, Carlinhos respondeu aos questionamentos da defesa, do Ministério Público e da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira. Em outro momento do depoimento, afirmou que não passa um dia sem lamentar a morte de Thays e reconheceu que destruiu a própria vida ao cometer o crime.
Segundo o empresário, o relacionamento com Thays durou três anos e sete meses e, apesar das constantes separações e reconciliações, os dois chegaram a planejar o casamento. Ele afirmou que ainda acreditava em uma reconciliação quando decidiu procurá-la após o fim do relacionamento.
Carlinhos relatou que, como ambos compartilhavam a localização dos celulares, viu que Thays estava na rodoviária e foi até o local para conversar. Depois, afirmou que passou a seguir o veículo da ex-companheira apenas para descobrir quem era o homem que a acompanhava.
Ao falar sobre o dia do crime, o empresário disse que encontrou novamente Thays e Willian quando seguia para um shopping. Segundo ele, parou o carro ao lado do casal para perguntar por que a ex-companheira não atendia suas ligações. Na sequência, afirmou que Willian caminhou em direção ao veículo e o insultou.
“Na hora em que ele veio para a minha direção e me xingou, eu perdi o controle”, disse.
O réu afirmou que o primeiro disparo tinha como alvo Willian, e não Thays, e alegou que sofreu um “apagão”, razão pela qual não se recorda dos demais momentos da ação.
Questionado pelo Ministério Público sobre o motivo de essa versão não ter sido apresentada durante a investigação, respondeu que havia contado os fatos ao antigo advogado, mas que, após ser preso, mal conseguia falar.
Carlinhos também negou ter perseguido Thays, apesar das provas reunidas pela Polícia Civil. Segundo ele, as anotações encontradas em sua residência eram apenas um hábito pessoal de registrar informações, enquanto os deslocamentos da ex-companheira eram acompanhados por meio do compartilhamento de localização dos celulares.
O empresário ainda negou que as ligações insistentes configurassem perseguição. “Eu não gosto de escrever. Eu gosto de falar”, afirmou.
Ao explicar por que deixou Cuiabá após o crime, Carlinhos disse que seguiu para Campo Verde para tentar compreender o que havia acontecido antes de se apresentar à polícia.
“Em momento algum pensei em fugir”, declarou.
O empresário também negou ter descumprido medidas cautelares impostas pela Justiça e criticou parte da cobertura do caso, afirmando que algumas informações divulgadas não correspondiam à realidade.
Carlinhos Bezerra responde pelo assassinato de Thays Machado, de 44 anos, e Willian César Moreno, de 30 anos. O crime ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá, quando o casal aguardava um carro de aplicativo e foi surpreendido pelos disparos. Conforme a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Thays foi atingida por três tiros e Willian por disparos no braço e no peito.
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