DUPLO HOMICÍDIO
Justiça decreta prisão preventiva de homem suspeito de matar ex e namorado dela em Aripuanã
Júlio Moreira dos Santos foi preso pela Polícia Militar após ser localizado em uma residência; arma com numeração raspada foi apreendida
O juiz da Vara Única de Aripuanã, Yago Sebastião, converteu em preventiva a prisão de Júlio Moreira dos Santos, acusado de matar a ex-namorada, Lorrayne dos Reis Correia, de 28 anos, e o atual companheiro dela, Marcos Willian Richieri Pereira, de 36. A decisão ocorreu durante audiência de custódia realizada na segunda-feira (14).
O casal foi encontrado morto na noite de domingo (13), dentro de uma residência no distrito de Conselvan. As vítimas foram atingidas por tiros na cabeça.
Segundo o registro policial, Lorrayne teria sido ameaçada de morte por Júlio durante uma festa no Barracão Bar, na noite anterior ao crime. Depois da ameaça, ela deixou o local acompanhada de Marcos e foi para casa.
Horas depois, um amigo de Marcos foi até a residência para procurá-lo. Como não conseguiu contato, acionou a Polícia Militar. No imóvel, os policiais encontraram sinais de arrombamento e, durante a averiguação, localizaram os dois mortos.
Após buscas na região, Júlio foi localizado pelos militares em uma residência. Conforme o boletim de ocorrência, ele confessou os homicídios e recebeu voz de prisão.
Durante a ação, os policiais também apreenderam um revólver calibre .38, da marca Taurus, com a numeração raspada, além de três munições intactas.
HISTÓRICO
Ainda conforme o boletim de ocorrência, Júlio já havia sido preso em maio deste ano por uma tentativa de homicídio contra um antigo namorado de Lorrayne. O caso ocorreu na madrugada de 17 de maio, na Boate Talismã.
Na ocasião, Lorrayne relatou à polícia que mantinha relacionamento com o homem havia cerca de três anos. O casal havia terminado em janeiro e reatado em abril. Durante o período de separação, ela se relacionou com Júlio.
Segundo o registro, após a reconciliação, Júlio teria demonstrado ciúmes e passado a ameaçar o então namorado de Lorrayne. Durante uma briga, ele teria desferido uma facada contra o homem.
Após a prisão pelo episódio, Júlio foi liberado no mesmo dia.
Justiça
STJ mantém prisão de agricultor acusado de ser mandante da morte de advogado em Cuiabá
Defesa tentou derrubar a prisão e retirar acusação de organização criminosa, mas recurso foi rejeitado por unanimidade
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do agricultor César Jorge Sechi, acusado de ser o responsável pela articulação financeira e um dos mandantes do assassinato do advogado Renato Gomes Nery. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (10) e rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pela defesa.
Renato Gomes Nery foi morto a tiros em 5 de julho de 2024, após ser surpreendido em frente ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Conforme a acusação, o crime teria sido encomendado em meio a uma disputa judicial envolvendo terras, e César teria participado da organização e do financiamento da execução.
Ao analisar o recurso, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, relator do caso, considerou que a prisão está sustentada por elementos concretos. A decisão cita uma suposta estrutura criminosa dividida em núcleos de comando, intermediação, execução e obstrução, com possível participação de agentes da Segurança Pública.
Entre os elementos mencionados estão depoimentos de Kaster Huttner Garcia e Heron Teixeira Pena Vieira, este apontado como participante direto no crime, além de um bilhete de cobrança relacionado ao pagamento do assassinato. Para o STJ, essas informações são suficientes, nesta fase do processo, para sustentar os indícios de autoria atribuídos a César.
A defesa, representada pelas advogadas Gabriela Nehme Bemfica e Rafaela Vieira dos Santos Lima, também tentou afastar a acusação de organização criminosa. Os advogados argumentaram que teria ocorrido apenas um concurso de pessoas para a prática do homicídio, sem a existência de vínculo estável que pudesse caracterizar uma organização criminosa.
Os defensores também alegaram que César não teria praticado atos para ameaçar testemunhas, destruir provas ou dificultar as investigações.
Os argumentos foram rejeitados pelo relator. Segundo o ministro, afastar a acusação de organização criminosa exigiria uma análise aprofundada das provas, o que não seria possível por meio de habeas corpus.
O colegiado também considerou que as circunstâncias descritas no processo indicam risco à ordem pública e à instrução criminal, motivo pelo qual manteve a prisão preventiva e descartou a substituição por medidas cautelares menos severas.
César está preso preventivamente desde julho de 2025, após uma prisão temporária decretada em maio daquele ano.
Além de Reynaldo Soares da Fonseca, votaram pela manutenção da prisão os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas. A decisão foi unânime.
A decisão do STJ trata da prisão preventiva e de questões processuais e não representa uma condenação definitiva de César pelas acusações de homicídio e organização criminosa.
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