A denúncia também aponta que Orminda e o marido, o pastor Nivaldo de Almeida, teriam mantido armas em uma propriedade da família para posterior comercialização em benefício da organização criminosa. Nivaldo morreu no dia 5 de setembro, em decorrência de câncer, e o processo contra ele foi extinto após a morte.
Outro ponto citado na investigação é a relação de Orminda com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado como liderança da facção e atualmente foragido. Dados obtidos durante a apuração indicam que a pastora esteve na casa dele, em uma favela do Rio de Janeiro.
Ainda conforme o Gaeco, integrantes presos chegaram a tratar Orminda como “mãe” em cartas encaminhadas a ela. Os documentos citados na denúncia mostram pedidos para que a mulher guardasse dinheiro e levasse objetos para dentro da penitenciária. O Ministério Público afirma que os valores e objetos estariam relacionados a dívidas e interesses da organização criminosa.

As investigações também identificaram movimentações financeiras envolvendo integrantes da família. Em conversas interceptadas em fevereiro deste ano, Orminda e Rhavenna teriam discutido transferências feitas por integrantes da facção para o pagamento de veículos pertencentes à família.

A denúncia descreve ainda a participação de outros familiares na movimentação dos valores. Rhavenna é apontada como uma das principais responsáveis pela comunicação com integrantes presos e foragidos. Renildo Silva Rios, conhecido como “Veio”, “Velhote” e “Chapa”, aparece na investigação como integrante da facção e estaria preso na PCE.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, foram apreendidos R$ 10,9 mil na posse de Orminda e R$ 1.534 com Rhavenna. Para o Gaeco, o dinheiro faz parte dos valores movimentados pelo grupo investigado.

Além de Orminda e Rhavenna, foram denunciados Renildo Silva Rios, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi. Os três primeiros respondem, segundo a denúncia, por integração em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os demais foram denunciados por lavagem de dinheiro.

A investigação começou após uma denúncia anônima sobre a utilização de atividades religiosas para facilitar o acesso a integrantes da facção dentro da PCE. A partir da apuração, o Gaeco reuniu mensagens, dados de contas, fotografias, registros de viagens e outros elementos que, segundo o órgão, indicam a atuação do grupo na circulação e ocultação de valores.

A denúncia foi assinada pelo promotor João Batista de Oliveira e encaminhada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Os denunciados ainda terão direito à defesa e ao devido processo legal.
