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CASO RENATO NERY

STJ mantém prisão de agricultor acusado de ser mandante da morte de advogado em Cuiabá

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Defesa tentou derrubar a prisão e retirar acusação de organização criminosa, mas recurso foi rejeitado por unanimidade

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do agricultor César Jorge Sechi, acusado de ser o responsável pela articulação financeira e um dos mandantes do assassinato do advogado Renato Gomes Nery. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (10) e rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pela defesa.

Renato Gomes Nery foi morto a tiros em 5 de julho de 2024, após ser surpreendido em frente ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Conforme a acusação, o crime teria sido encomendado em meio a uma disputa judicial envolvendo terras, e César teria participado da organização e do financiamento da execução.

Ao analisar o recurso, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, relator do caso, considerou que a prisão está sustentada por elementos concretos. A decisão cita uma suposta estrutura criminosa dividida em núcleos de comando, intermediação, execução e obstrução, com possível participação de agentes da Segurança Pública.

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Entre os elementos mencionados estão depoimentos de Kaster Huttner Garcia e Heron Teixeira Pena Vieira, este apontado como participante direto no crime, além de um bilhete de cobrança relacionado ao pagamento do assassinato. Para o STJ, essas informações são suficientes, nesta fase do processo, para sustentar os indícios de autoria atribuídos a César.

A defesa, representada pelas advogadas Gabriela Nehme Bemfica e Rafaela Vieira dos Santos Lima, também tentou afastar a acusação de organização criminosa. Os advogados argumentaram que teria ocorrido apenas um concurso de pessoas para a prática do homicídio, sem a existência de vínculo estável que pudesse caracterizar uma organização criminosa.

Os defensores também alegaram que César não teria praticado atos para ameaçar testemunhas, destruir provas ou dificultar as investigações.

Os argumentos foram rejeitados pelo relator. Segundo o ministro, afastar a acusação de organização criminosa exigiria uma análise aprofundada das provas, o que não seria possível por meio de habeas corpus.

O colegiado também considerou que as circunstâncias descritas no processo indicam risco à ordem pública e à instrução criminal, motivo pelo qual manteve a prisão preventiva e descartou a substituição por medidas cautelares menos severas.

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César está preso preventivamente desde julho de 2025, após uma prisão temporária decretada em maio daquele ano.

Além de Reynaldo Soares da Fonseca, votaram pela manutenção da prisão os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas. A decisão foi unânime.

A decisão do STJ trata da prisão preventiva e de questões processuais e não representa uma condenação definitiva de César pelas acusações de homicídio e organização criminosa.

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Justiça

Carlinhos Bezerra recorre de condenação de 36 anos pela morte de ex-namorada e namorado

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Defesa terá prazo para apresentar argumentos antes de recurso ser encaminhado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso

A juíza Mônica Catarina Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, recebeu o recurso de apelação apresentado pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, condenado a 36 anos de prisão pelos assassinatos de Thays Machado e Willian César Moreno.

A decisão foi proferida nesta quarta-feira (9) e determina que, após o cumprimento das etapas processuais, os autos sejam encaminhados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Segundo a magistrada, a defesa apresentou o recurso dentro do prazo e cumpriu os requisitos necessários para que a apelação fosse processada. Os advogados alegaram as hipóteses previstas no artigo 593, inciso III, alíneas “a”, “b”, “c” e “d”, do Código de Processo Penal.

Agora, a defesa deverá apresentar as razões detalhadas do recurso. Depois disso, o Ministério Público terá prazo para apresentar as contrarrazões. Concluída essa fase, o processo seguirá para análise do TJMT.

Na mesma decisão, Mônica Perri determinou a expedição da guia de recolhimento provisória contra Carlinhos, medida que já havia sido estabelecida na sentença condenatória.

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A juíza também autorizou a inclusão de cinco novos advogados indicados pela defesa: Melissa de Oliveira Machado, Elson Marcelino da Silva Junior, Larice Cristina da Silva, Gabriel Gouvea Neno Reiff e Paulo Moisés da Silva Gallo. Os profissionais passarão a receber as próximas intimações, enquanto os demais advogados já habilitados continuam no processo.

Carlinhos Bezerra foi condenado pelo Tribunal do Júri em 31 de julho deste ano pelas mortes de Thays Machado e Willian César Moreno. Os dois foram assassinados a tiros em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.

Thays foi atingida enquanto estava na calçada e morreu no local. Willian tentou fugir, mas foi perseguido e baleado. Ele morreu cerca de 30 metros do ponto onde o casal estava.

Pela morte de Thays, a condenação foi por homicídio qualificado pelas circunstâncias de feminicídio, motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. No caso de Willian, houve condenação por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa.

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A pena total foi fixada em 36 anos de prisão, em regime inicialmente fechado. Com a apelação, a defesa busca modificar a decisão no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

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