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ELEIÇÕES 2026

“Valorizamos os servidores como nunca foram valorizados”, afirma Pivetta em meio a disputa com Wellington por apoio do funcionalismo

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Governador e senador intensificam discursos sobre benefícios salariais e travam embate por apoio de servidores de Mato Grosso

O governador de Otaviano Pivetta afirmou que sua gestão tem promovido valorização histórica dos servidores públicos ao comentar a atualização de benefícios salariais concedida por meio de decretos estaduais. A declaração ocorre em meio à intensificação da disputa política com o senador Wellington Fagundes, ambos pré-candidatos ao Governo do Estado.

Na última quinta-feira (14), Pivetta assinou dois decretos que atualizam os valores do adicional de insalubridade e das diárias pagas aos servidores estaduais. Segundo o governador, as medidas reforçam a política de responsabilidade fiscal e valorização do funcionalismo.

“Valorizamos os servidores como nunca foram valorizados. Mantemos o salário em dia, com responsabilidade fiscal”, afirmou.

A movimentação do governador ocorre em um cenário de disputa direta com Wellington Fagundes, que também busca consolidar apoio entre os servidores públicos de Mato Grosso. O grupo é considerado estratégico eleitoralmente, já que o Estado conta com mais de 100 mil servidores ativos e inativos.

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No dia seguinte ao anúncio de Pivetta, o senador reforçou em suas redes sociais a defesa do pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) e criticou a atual gestão estadual.

“RGA é lei. Dizem que não tem dinheiro. Mas vou provar que tem dinheiro, sim. No meu governo, cumprirei a RGA, dialogando com todos os servidores”, declarou Wellington.

O tema da RGA já vem sendo motivo de embates entre os dois ao longo do ano. Em abril, Pivetta classificou como “aceno para a mentira” a proposta do senador de pagar uma RGA retroativa de 19%, referente ao período em que o reajuste esteve suspenso entre 2020 e 2021.

A disputa pelo discurso em torno da valorização do funcionalismo também marcou debates na gestão do ex-governador Mauro Mendes, quando o tema ganhou espaço na Assembleia Legislativa.

No início deste ano, o governo estadual concedeu reajuste de 5,4% da RGA após discussões com o Legislativo.

Além disso, o reajuste do adicional de insalubridade anunciado por Pivetta chega a 35,39%, com base na variação do INPC acumulado entre 2014 e 2025. Os valores passam a ser de R$ 135,39 no grau mínimo, R$ 250,47 no grau médio e R$ 500,94 no grau máximo.

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Segundo o governo, a atualização busca recompor perdas inflacionárias, garantir a manutenção do benefício e valorizar servidores expostos a condições insalubres.

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Política MT

Audiência pública debate fortalecimento da rede de saúde mental em Mato Grosso

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Foto: Helder Faria

Na tarde desta segunda-feira (18), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu audiência pública para discutir a implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a efetivação da política antimanicomial no estado. O debate, requerido pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), foi realizado no Plenário Renê Barbour e fez alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

A data, dia 18 de maio, marca o movimento nacional em defesa do cuidado em liberdade para pessoas em sofrimento psíquico e reforça os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, instituída pela Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Paulo Delgado.

Carlos Avallone afirmou que o principal desafio é estruturar a rede de atendimento para garantir que a política antimanicomial funcione de forma efetiva no estado. “Quanto mais a gente melhorar essa atenção, melhor vai funcionar. Não adianta acabar com os hospitais psiquiátricos sem que a rede consiga absorver essas pessoas dentro do sistema necessário”, destacou.

Segundo o parlamentar, a audiência também teve como objetivo discutir gargalos e encaminhamentos para fortalecer a política de saúde mental em Mato Grosso. Entre os pontos debatidos estão a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a qualificação das equipes e a integração da rede para garantir atendimento adequado dos pacientes de saúde mental em qualquer lugar em que ele esteja. “Nós temos recursos para a saúde mental, ainda que não seja muito. O que está faltando é organização para gastar esses recursos”, apontou.

O presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso, Gabriel Figueiredo, explicou que a Reforma Psiquiátrica mudou o modelo de cuidado em saúde mental no Brasil. “A Lei Paulo Delgado trouxe diretrizes para o cuidado em liberdade e no território. A partir dela, o Brasil passou a enxergar essas pessoas com dignidade e direitos, garantindo reinserção social e acesso à família e ao trabalho”, afirmou.

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Segundo Gabriel, a RAPS foi criada justamente para substituir o modelo manicomial tradicional por serviços territorializados, como CAPS, residências terapêuticas e unidades de acolhimento. Ele ressaltou, no entanto, que a atual capacidade da rede ainda é insuficiente para atender a demanda do estado. “Mato Grosso possui uma pluralidade de povos e territórios que precisam de atenção específica, como indígenas e quilombolas. Ainda temos insuficiência de serviços mesmo nos centros urbanos, principalmente CAPS e unidades de acolhimento”, disse.

O promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto afirmou que o Ministério Público vem acompanhando a situação da saúde mental nos últimos anos e apontou avanços na ampliação do financiamento da rede. “Conseguimos um aporte de R$ 88 milhões em quatro anos para melhorar a contrapartida do [Governo do] Estado no financiamento dessas unidades”, explicou. Ele também destacou a necessidade de ampliar o número de profissionais especializados. “Não basta só ter a estrutura física. Se não houver profissionais qualificados, principalmente psiquiatras, o serviço não consegue funcionar plenamente”, disse.

Já o presidente da Associação Mato-Grossense de Psiquiatria, Paulo Saldanha, afirmou que a psiquiatria historicamente apoia o cuidado humanizado em saúde mental, mas alertou para a dificuldade de contratação de profissionais devido à baixa remuneração oferecida na rede pública. Segundo ele, um recente processo seletivo em Cuiabá ofertou salário de R$ 5,9 mil para médicos psiquiatras com carga horária de 20 horas semanais, valor muito abaixo dos pisos nacionais da categoria.

“A grande maioria dos psiquiatras do Brasil foi formada e fez sua especialização no SUS. Por que não podemos trabalhar onde fomos formados? Por que não podemos contribuir para isso?”, questionou.

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Representando a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), a enfermeira e Coordenadora de Organização das Redes de Atenção à Saúde (CORAS), Daniely Beatrice, participou da audiência e destacou que, embora a saúde mental seja tratada de forma transversal integrando diferentes linhas de cuidado, a ausência de uma coordenação estadual exclusiva e a limitação da equipe técnica representam grandes desafios estruturais.

Beatrice explicou que o estado possui atualmente 55 centros de atenção psicossocial (CAPS), mas necessita de mais 30 para atingir a meta populacional, um cenário complexo devido ao grande número de municípios com menos de 15 mil habitantes. Segundo ela, para preencher essa lacuna, a gestão investe na qualificação da Atenção Primária, tendo já capacitado 80 profissionais para o manejo de transtornos mentais baseado nas diretrizes da OMS.

A coordenadora sinalizou que a principal meta técnica para este ano é a implantação de leitos específicos de saúde mental em Hospitais Gerais e Regionais, desmistificando o atendimento de crise e consolidando os princípios da luta antimanicomial por meio do acesso qualificado em toda a rede. Ela ainda garantiu que levaria as demandas apresentadas para o poder executivo, garantindo que há orçamento e vontade para viabilizar ações.

Durante a audiência, representantes de órgãos públicos, entidades de saúde e movimentos sociais também discutiram estratégias para fortalecer a RAPS, ampliar o atendimento em saúde mental e garantir a reinserção social das pessoas em sofrimento psíquico no estado. Carlos Avallone também é presidente da Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O organismo realiza reuniões para tratar das demandas desse setor.

Fonte: ALMT – MT

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