DECISÃO DO STF
“Aposentadoria não elimina influência”, diz Zanin ao manter tornozeleira de desembargador de MT
Ministro do STF negou pedido da defesa de Sebastião de Moraes Filho e afirmou que investigação sobre venda de decisões judiciais ainda apresenta riscos
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, negou o habeas corpus apresentado pela defesa do desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Sebastião de Moraes Filho, que buscava retirar a tornozeleira eletrônica utilizada pelo magistrado.
Sebastião está submetido ao monitoramento desde novembro de 2024, quando foi alvo de uma das fases da Operação Sisamnes, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado à venda de decisões judiciais. Entre os personagens centrais da investigação está o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá.
A defesa alegou que Sebastião tem 75 anos, foi aposentado compulsoriamente em 2025, está proibido de manter contato com outros investigados e já cumpre outras medidas cautelares. Também argumentou que os fatos investigados são antigos, que a operação foi deflagrada em 2024 e que, até o momento, não houve denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.
Por isso, os advogados consideraram excessiva a manutenção da tornozeleira por mais de um ano e nove meses.
Na decisão publicada nesta terça-feira (1º), porém, Zanin entendeu que a investigação ainda apresenta elevado grau de complexidade e possui diligências em andamento. Para o ministro, a aposentadoria do desembargador não elimina, por si só, os riscos que justificaram a imposição das medidas cautelares.
Zanin destacou que, em investigações envolvendo organizações criminosas, a necessidade de manutenção de uma medida cautelar não depende exclusivamente do tempo transcorrido desde os fatos, mas da existência de riscos atuais que justifiquem sua continuidade.
“A desvinculação formal do cargo público, operada por força do limite etário de 75 anos, não elide a influência decorrente de décadas de atuação do Paciente na cúpula do Poder Judiciário mato-grossense”, afirmou o ministro.
A decisão acompanhou os argumentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou contra a retirada da tornozeleira.
Para a PGR, a rede de relacionamentos construída pelo desembargador ao longo de décadas no TJMT e o conhecimento dos canais informais e sistemas processuais permaneceriam mesmo após a aposentadoria.
O órgão também argumentou que a permanência de assessores e outras pessoas investigadas na estrutura administrativa do tribunal poderia permitir uma eventual interferência indireta na investigação. Segundo a PGR, o monitoramento eletrônico busca garantir o isolamento físico do investigado e impedir a continuidade de possíveis relações de influência.
Sebastião de Moraes Filho é investigado por supostamente manter uma relação próxima com Roberto Zampieri e receber vantagens indevidas em troca de decisões favoráveis.
O celular de Zampieri, apreendido após o assassinato do advogado, revelou conversas que levantaram suspeitas sobre negociações de decisões judiciais e contatos frequentes com desembargadores do TJMT. O aparelho passou a ser conhecido como “celular bomba”.
Além de Sebastião, as investigações identificaram diálogos entre Zampieri e o desembargador afastado João Ferreira Filho, além do desembargador aposentado Dirceu dos Santos.
Segundo a investigação, Zampieri teria atuado como uma espécie de “lobista”, mantendo contato com magistrados para tentar influenciar o andamento e os resultados de processos judiciais.
Política MT
“Ele veio me ameaçar”, diz Maurício após confusão com marido de Natasha; VEJA VÍDEO
Candidato do Mobiliza e equipe da adversária trocaram acusações de ameaça e intimidação durante debate em Cuiabá
O candidato Maurício Coelho (Mobiliza) e integrantes da equipe da candidata Doutora Natasha (PSD) protagonizaram um bate-boca, com acusações mútuas de ameaça e intimidação, durante o primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, realizado nesta terça-feira (1º), nos estúdios da TV Vila Real, em Cuiabá.
Segundo o candidato Maurício Coelho, a confusão começou durante um intervalo do programa, após ele fazer perguntas à adversária sobre o Fundo Eleitoral. A campanha de Natasha recebeu nesta semana o repasse de R$ 4,5 milhões diretamente do diretório nacional do PSD.
Maurício afirmou à imprensa que teria sido intimidado pelo médico Roberto Fraife Barreto, marido da candidata.
“O Roberto, marido da Natasha, veio me ameaçar pela pergunta que eu fiz para a Natasha. Ele não gostou da pergunta. Todo mundo assistiu ao debate, viu como foram as perguntas”, afirmou.
O candidato do Mobiliza também criticou a postura de Roberto Fraife.
“O marido dela tem que começar a respeitar a candidatura dela. Ele é um destemperado”, disparou.
A equipe de campanha de Doutora Natasha, no entanto, apresentou outra versão sobre o episódio. O marqueteiro Lucas Pimenta e o advogado Paulo Taques afirmaram que a tensão teria começado quando Maurício Coelho se aproximou nos bastidores e teria ameaçado a candidata.
Segundo o relato apresentado pela equipe, Maurício teria batido no ombro de um integrante da campanha e dito que iria “trucidar” a candidatura de Natasha.
“Ele bateu no ombro deste aqui e disse: ‘Eu vou trucidar a sua candidata hoje’. Imagina, eu sou marido, se um homem chega para outro homem e fala ‘eu vou trucidar sua esposa’”.
Diante do episódio, a equipe jurídica da coligação de Doutora Natasha anunciou que irá registrar um boletim de ocorrência e formalizar uma representação criminal contra Maurício Coelho.
O caso ocorreu nos bastidores do primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso.
Veja vídeo
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