Ricker Maximiano de Moraes é acusado de assassinar Gabrieli Daniel a tiros dentro da casa do casal, em Cuiabá, na presença das duas crianças
A Justiça de Mato Grosso decidiu levar a julgamento pelo Tribunal do Júri o policial militar Ricker Maximiano de Moraes, acusado de matar a esposa, Gabrieli Daniel, a tiros dentro da residência do casal, no bairro Praieiro, em Cuiabá.
Na sentença de pronúncia, o Juízo da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher entendeu haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o acusado seja julgado pelos jurados.
O crime ocorreu no dia 25 de maio de 2025. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, Ricker efetuou disparos contra Gabrieli por volta das 16h40, dentro da casa onde a família morava. Os dois filhos do casal, então com 3 e 5 anos, estavam presentes no momento do crime.
Após os disparos, Ricker deixou o local levando as crianças para a casa dos avós paternos. Horas depois, ele se apresentou na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi preso em flagrante.
A acusação é conduzida pela 15ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá – Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, sob responsabilidade da promotora de Justiça Claire Vogel Dutra.
A materialidade do crime foi confirmada por laudos periciais. O exame de necropsia apontou que Gabrieli morreu em decorrência de choque hemorrágico provocado pelos disparos, que atingiram órgãos vitais. O confronto balístico também indicou que os projéteis encontrados foram disparados pela pistola funcional acautelada ao acusado.
Durante o processo, o próprio Ricker admitiu em juízo ter efetuado os disparos contra a esposa. A defesa alegou que ele enfrentava forte perturbação emocional e problemas psiquiátricos e pediu a absolvição sumária por inimputabilidade.
Um laudo psiquiátrico, no entanto, concluiu que o acusado apresenta Transtorno Psicótico Não Especificado e possui capacidade de entendimento parcialmente preservada, sendo considerado semi-imputável. Diante disso, a Justiça entendeu que a questão deve ser analisada pelo Tribunal do Júri.
Na decisão, foram mantidas as circunstâncias apontadas pelo Ministério Público, incluindo o feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, o fato de a vítima ser mãe de crianças, a acusação de que o crime ocorreu na presença dos filhos e o emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa de Gabrieli.
A prisão preventiva de Ricker também foi mantida. Com a decisão, o processo segue agora para a fase de preparação do julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.