Política MT
CPI da Saúde suspende oitivas durante período eleitoral
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) suspendeu, nesta quarta-feira (2), as reuniões com convocações e oitivas durante o período eleitoral. A decisão foi comunicada após a leitura de parecer da Procuradoria-Geral da Casa Leis, que considerou juridicamente possível a suspensão dos trabalhos. O documento foi ratificado pela Mesa Diretora.
Com a medida, não foram realizados os depoimentos previstos para esta tarde. Seriam ouvidos o ex-secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo e o atual ocupante da pasta, Juliano Melo. A reunião foi encerrada após a leitura do parecer.
Conforme o calendário definido nesta quarta-feira, os trabalhos com reuniões abertas e convocações serão retomados em 7 de outubro, primeira quarta-feira após o primeiro turno da eleição. Durante a suspensão, a CPI poderá continuar atividades internas relacionadas à produção do relatório e receber documentos e informações que contribuam para a investigação.
Segundo o procurador da Assembleia, Francisco Brito, a suspensão foi solicitada pela maioria absoluta dos integrantes da CPI para preservar a lisura do processo eleitoral e evitar eventuais interferências dos trabalhos da comissão no pleito. Ele avaliou que a suspensão não compromete o andamento da apuração diante do volume de documentos já reunidos.
“Já há muito documento produzido, o relatório do Tribunal de Contas do Estado, o inquérito da Polícia Federal, a perícia da Polícia Federal e também os próprios pareceres da Procuradoria-Geral do Estado”, afirmou.
O procurador ainda esclareceu que os trabalhos devem ser concluídos até o término da atual legislatura, que ocorre em 31 de janeiro de 2027.
A CPI investiga possíveis irregularidades em licitações e contratos da Secretaria de Estado de Saúde realizados entre 2019 e 2023, relacionados às investigações que resultaram na Operação Espelho. Na reunião da semana passada, a comissão ouviu a ex-secretária adjunta de Gestão Hospitalar Carolina Campos e o ex-diretor do Hospital Regional de Cáceres, Onair Azevedo Nogueira.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
“Descontos de cartão consignado cresceram quase 20 vezes” na gestão Emanuel
Valores retirados da folha de pagamento dos servidores saltaram de R$ 13 mil para mais de R$ 260 mil mensais entre 2023 e 2025
Contrato firmado em 2020 atravessou cinco anos e teve o cartão de crédito consignado incluído entre as operações oferecidas aos servidores
O ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), manteve por cinco anos o vínculo da Prefeitura com o Banco Master, permitindo que servidores municipais tivessem acesso a empréstimos, financiamentos e cartão de crédito consignado com desconto direto em folha.
O contrato original foi firmado em 8 de setembro de 2020, quando a instituição ainda utilizava o nome de Banco Máxima. A relação foi prorrogada por meio de sucessivos aditivos durante os anos seguintes.
Em 2022, o prazo máximo para amortização de empréstimos e refinanciamentos passou de 96 para 120 meses. No ano seguinte, o cartão de crédito consignado foi incluído expressamente no acordo.
Entre outubro de 2023 e julho de 2025, foram registrados aproximadamente R$ 4,18 milhões em descontos na folha dos servidores relacionados ao cartão de crédito do Banco Master. Os lançamentos passaram de cerca de R$ 13,2 mil em outubro de 2023 para R$ 269,8 mil em dezembro de 2024.
O valor representa a soma dos lançamentos referentes à rubrica do cartão de crédito e não corresponde ao total de crédito concedido pelo banco aos servidores.
O último aditivo foi assinado em julho de 2024 e prorrogou o credenciamento até 8 de setembro de 2025. A gestão do atual prefeito Abilio Brunini (PL) não renovou o vínculo após o encerramento do prazo.
Apesar de o contrato ter sido firmado durante a gestão Emanuel, os documentos não indicam que o ex-prefeito tenha assinado pessoalmente o instrumento. Ele aparece como prefeito e representante do Município, enquanto a assinatura foi feita pela então secretária de Gestão, Ozenira Félix Soares de Souza. Os aditivos posteriores foram assinados por secretários da pasta.
O vínculo terminou pouco mais de dois meses antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025.
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