CASO BANCO MASTER
PF aponta que ex-banqueiro Daniel Vorcaro teve acesso a documento sigiloso 2 dias após abertura de apuração
Relatório enviado ao STF indica que o ex-banqueiro teve acesso a um procedimento secreto sobre uma operação de R$ 500 milhões envolvendo a Caixa Asset e o Banco Master
A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teve acesso a informações secretas de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) envolvendo o Banco Master e a Caixa Asset. Segundo relatório enviado ao STF, mensagens indicam que ele recebeu os documentos apenas dois dias após a abertura do caso.
A investigação do MPF apura uma crise na Caixa Asset, onde dois gerentes foram demitidos após barrarem um negócio de R$ 500 milhões com o Banco Master. A área técnica barrou a compra alegando que o banco de Vorcaro representava “alto risco” e tinha números pouco claros.
Segundo a PF, as mensagens indicam que Vorcaro pagava cerca de R$ 1 milhão por mês para o operador Luiz Phillipi Mourão. Os investigadores apontam que a função dele era monitorar adversários, tentar apagar dados negativos e conseguir informações sigilosas.
Em uma das mensagens interceptadas, Mourão afirma ao ex-banqueiro: “Para puxar o que precisar estamos com acesso total e ilimitado lá [no sistema do MPF]”. Quando o caso avançou, ele alertou Vorcaro para agir e “não deixar virar inquérito policial”.
Investigação sobre brecha no sistema
A PF agora apura como o grupo teria burlado o sigilo. O relatório aponta que a senha de uma servidora do MPF do Maranhão foi usada para acessar o processo, que corre em Brasília.
A polícia tenta esclarecer se o sistema foi hackeado ou se o acesso foi facilitado. O sigilo dos documentos foi retirado pelo ministro André Mendonça, do STF.
Agronegócio
PF deflagra operação contra Banco Digimais ligado a Edir Macedo e bloqueia R$ 670 milhões; VEJA VÍDEO
“Há indícios de irregularidades na gestão da instituição”, diz Polícia Federal ao justificar ação que atingiu cúpula do banco
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (23), em São Paulo, a Operação Miragem, que tem como alvo a cúpula do Banco Digimais, instituição financeira ligada ao empresário e líder religioso Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
A Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens e valores dos investigados.
A ação foi desencadeada após relatórios do Banco Central apontarem indícios de irregularidades na gestão da instituição financeira.
Batizada de Operação Miragem, a ofensiva mobilizou mais de 50 agentes federais para o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, além da autorização para acesso a dados bancários e fiscais dos alvos.
Segundo a PF, administradores do banco são suspeitos de adotar mecanismos para apresentar uma situação financeira mais favorável do que a real, com possível alteração de dados contábeis e geração artificial de receitas.
As investigações indicam que a prática teria inflado o valor de ativos e ocultado problemas capazes de comprometer a saúde financeira da instituição. As movimentações sob suspeita envolvem cifras que chegam a centenas de milhões de reais.
A Polícia Federal apura ainda possível desvio de recursos em benefício de empresas ligadas ao controle do banco, além de suposta manipulação de informações enviadas aos sistemas de fiscalização do Banco Central.
Os investigados poderão responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta, prestação de informações falsas em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas pela legislação.
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