INSCRIÇÕES ABERTAS
Fórum das Cadeias Produtivas ocorre de 12 a 19 de julho na Expoagro
Com o tema “Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Produtivas”, o Fórum das Cadeias Produtivas chega à quinta edição neste ano.
O evento, realizado pelo Sindicato Rural de Cuiabá dentro da programação da 56ª Exposição Industrial, Comercial e Agropecuária de Mato Grosso (Expoagro), será de 12 a 19 de julho no Centro de Eventos Senador Jonas Pinheiro – antigo parque de exposições.
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Pelo segundo ano consecutivo, o Fórum técnico da Expoagro tem apoio institucional da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Campus Cuiabá. A curadoria das palestras foi feita pelo prof. Dr. João Costa Jr, profa. Déborah Guedes e prof. Jonathan Madson, todos do curso de Zootecnia.

Em 2023, em uma iniciativa conjunta do grupo de professores e Sindicato Rural, foi criado o projeto “ConectZoo”. O objetivo inicial continua firme agora em 2024: combater a desinformação e as “fake news” disseminando conhecimento técnico e científico sobre a atividade produtiva animal.
Neste ano, o ConectZoo preparou seis palestras de 15 a 18 de julho inseridas no Fórum. Entre os temas, pecuária de precisão, mitos sobre produção animal, gestão pecuária, pecuária a pasto, produção sustentável de silagem e integração lavoura-pecuária-floresta.
Confira a programação no detalhe aqui.
“Construímos uma programação que reflete a necessidade de integrarmos tecnologia, sustentabilidade, produtividade, sempre com informação científica de qualidade na produção animal”, antecipa um dos curadores, Prof. João Costa Jr.
Não foi apenas o ConectZoo que ‘cresceu’ em 2024, mas a programação do Fórum das Cadeias Produtivas como um todo. No total, serão 35 palestras multitemáticas com especialistas da academia, do setor produtivo, do poder público e de entidades classistas.
Entre os destaques, a presença do presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia, Leonardo Ananda Gomes, que mostrará as oportunidades de mercado entre os dois países no dia 12/07 às 11h. Na segunda (15), às 16h, o deputado federal Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), falará sobre os avanços e desafios do agro brasileiro na perspectiva legislativa. Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, mostrará no dia 16/07, às 14h, as tendências do mercado de carne para Brasil e Mato Grosso.
“A união entre as federações da agricultura (Famato), comércio (Fecomércio) e indústria (Fiemt) também foi essencial para que pudéssemos agregar tantos palestrantes e temas importantes. Quem acompanhar o fórum, estará devidamente atualizado sobre as principais pautas da atividade produtiva brasileira”, avaliou Vicente Falcão, diretor do Sindicato Rural de Cuiabá.
As inscrições para o fórum são gratuitas e podem ser feitas clicando aqui. As vagas são limitadas.
Agronegócio
Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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