EM ENTREVISTA A PODCAST
Haddad critica elite econômica e defende projeto de desenvolvimento sustentável para o Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avalia que o Brasil ainda busca consolidar uma classe dirigente que não esteja subordinada aos interesses da elite socioeconômica dominante, e que possa, assim, pensar em um projeto de longo prazo que vá além da simples acumulação de bens materiais.
Haddad pondera que, de tempos em tempos, projetos políticos que buscam consolidar uma nova classe dirigente que se desvencilhe da dominação da elite econômica são alvo de movimentos autoritários e reacionários. Citou como exemplos o suicídio de Getúlio Vargas, a deposição de João Goulart e a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante entrevista ao podcast 3 Irmãos, no último sábado (27/9), Haddad afirmou que essa desejada classe dirigente – em contraponto à classe dominante – não precisa ser homogênea do ponto de vista ideológico, mas deve necessariamente pensar um projeto de País. Segundo ele, o Governo do Brasil faz parte dessa busca pela construção de uma classe dirigente. “Nós estamos num País absurdamente desigual. Nós precisamos começar a fazer alguma coisa para o povo crescer, ascender”, disse o ministro.
FIQUE ATUALIZADO: Entre em nosso grupo do WhatsApp e receba informações em tempo real (clique aqui) Siga-nos também no Instagram e acompanhe
Questionado sobre o que fazer diante de grupos econômicos que tentam se apropriar de conquistas sociais, ou revertê-las, Haddad comentou: “Primeiro, falta uma classe dirigente no Brasil. Eu te digo o porquê: nos países capitalistas, você tem uma classe dominante, que é a proprietária, vamos dizer assim, dos meios de produção – das terras, das máquinas, das fábricas – mas, nos países mais civilizados, há a classe dirigente, que nem sempre está capturada pela classe dominante. Que consegue enxergar mais longe o destino do País”.
Haddad prosseguiu, destacando as dificuldades de a classe dominante brasileira aceitar o surgimento de uma classe dirigente. “Porque a classe dominante tem medo de uma classe dirigente mais autônoma dos interesses particulares de cada um. E não tem país grande no mundo sem uma classe dirigente. [Não há] Desenvolvimento pra valer, visão de longo prazo, um destino grandioso para a nação, que não tenha uma classe dirigente”, disse. São aquelas pessoas que não estão apenas pensando em acumular dinheiro. Estão pensando em construir um País. Por isso que existe classe política dirigente. Estão pensando no longo prazo; esse é o tesão do cara. Não estou pensando em grana, eu quero estar num projeto nacional, eu quero construir um País”, completou o ministro.
Embate antigo
Em retrospectiva, Haddad destacou que esse embate se dá desde a abolição legal da escravatura e da proclamação da República. Segundo ele, foram episódios da formação do Brasil em que o Estado – que deveria ser liderado pela classe dirigente – foi capturado pelas forças proprietárias dos meios de produção. Ou melhor, foi “doado”. “O pessoal fala que no Brasil a abolição da escravidão não teve indenização. Mas teve. O Estado brasileiro foi transferido para a classe dominante brasileira. A monarquia foi para a Europa e deixaram o Estado na mão da classe dominante”, argumentou. “E essa classe dominante jamais aceitou a formação de uma classe dirigente. O Estado foi transferido a título de indenização: ‘acabou a escravidão, mas tomem aqui o Estado brasileiro. Vocês tocam”.
Já a proclamação da República, buscada havia mais tempo por grupos e movimentos, chegou depois da abolição e intermediada pelo Exército, mantendo o acordo de posse do Estado pela classe dominante.
Ainda segundo Haddad, toda vez que esse acordo é colocado em xeque, há uma tentativa de golpe. “A fragilidade da democracia no Brasil se deve ao fato de que toda a vez que o povo quer se apossar democraticamente do Estado, no sentido fazer valer seu destino, seu sonho, tem uma ameaça”.
Assista à entrevista:
Política Nacional
Mendonça afirma que “prerrogativas da magistratura” foram violadas ao afastar chefe da PF
Decisão também atinge diretor de Inteligência da corporação e suspende produção de relatórios sobre integrantes do STF, AGU e Polícia Federal
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão ocorre em meio aos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo Mendonça, o afastamento é necessário para garantir que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da própria Polícia Federal possam exercer suas funções sem sofrer interferências ou constrangimentos ilegais.
Na mesma decisão, o ministro determinou a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou servidores envolvidos na atividade de polícia judiciária.
De acordo com a decisão, Andrei Rodrigues encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, ao menos seis relatórios de inteligência produzidos de forma sigilosa entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026.
Mendonça classificou como graves as circunstâncias envolvendo os documentos e afirmou que seriam necessárias medidas imediatas para impedir que as prerrogativas do Judiciário, da advocacia pública e da própria Polícia Federal continuassem sendo violadas.
O ministro também afirmou que teria sido alvo de monitoramento considerado ilegal por integrantes da inteligência policial durante mais de 30 dias. A decisão ainda aponta questionamentos sobre a atuação de Andrei Rodrigues e sobre a produção dos chamados relatórios de inteligência.
O afastamento ocorre em meio à crise envolvendo as investigações sobre o Banco Master e mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, Vorcaro mantinha conversas com Alexandre de Moraes e chegou a pedir ao ministro que tentasse reverter medidas relacionadas às investigações junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF.
Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro de 2025, Vorcaro escreveu a Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”.
A decisão de Mendonça representa uma nova escalada do conflito institucional envolvendo o Supremo, a Polícia Federal e as investigações sobre o Banco Master. O afastamento de Andrei Rodrigues ainda depende de análise da Segunda Turma do STF.
-
Polícia7 dias agoHomem morre após passar mal e sofrer parada cardíaca dentro de bar em Cáceres
-
Polícia7 dias agoCaminhoneiro tenta frear bitrem em movimento e morre prensado pelo próprio veículo em Várzea Grande
-
Cidades7 dias ago“Deus é maravilhoso”, diz sócia após incêndio atingir pizzaria
-
Política MT6 dias ago“O partido não traiu ninguém”, diz Dilmar ao explicar apoio a Pivetta e Mauro Mendes
-
Polícia6 dias agoLadrão é preso escondido em telhado após furto em VG
-
Justiça5 dias agoUnimed diz que tratamento não tem cobertura obrigatória para bebê de 15 meses, mas Justiça manda liberar remédio de R$ 6 milhões
-
Cidades7 dias agoMadrasta e criança morrem em colisão frontal na BR-364
-
Polícia6 dias ago“A vítima foi esfaqueada e perseguida”, diz Polícia Civil sobre tentativa de homicídio