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Frente Parlamentar articula consórcio de inovação tecnológica para pequenos municípios da região sudoeste

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As cidades de Barra do Bugres e Nova Olímpia, localizadas na região sudoeste de Mato Grosso, sediaram nesta quinta-feira (11) duas reuniões da Frente Parlamentar da Tecnologia e Inovação (FPTI), da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). As reuniões tiveram como foco principal o debate sobre a criação de um consórcio intermunicipal voltado para o desenvolvimento tecnológico e de inovação na região.

Coordenada pelo deputado Chico Guarnieri (PRD), os encontros aconteceram pela manhã, no campus da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em Barra do Bugres, e à tarde, na Câmara Municipal de Nova Olímpia.

Segundo o parlamentar, o objetivo da iniciativa é promover parcerias entre o poder público, instituições privadas, Sebrae, governo do estado e universidades, com foco na transformação digital das gestões públicas, no fomento a ecossistemas de startups e na aproximação entre centros de pesquisa e empresas.

“Nosso intuito é trazer tecnologia num consórcio regional para que a tecnologia também chegue aos pequenos municípios, como, por exemplo, na área de segurança, na questão Maria da Penha, o botão do pânico, ferramenta disponível em Cuiabá, Cáceres, Rondonópolis e Várzea Grande. Também para o transporte de cargas pesadas, com câmeras nos caminhões para monitorar e, inclusive, inibir o roubo de cargas. Então a tecnologia e inovação é algo que está ocorrendo em todo o mundo e queremos trazer para os pequenos municípios também”, destacou Guarnieri, coordenador da FPTI.

O deputado também informou que a Frente Parlamentar pretende visitar ao menos 20 municípios para aprofundar os debates sobre o consórcio.

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Foto: Marcos Lopes

Representantes da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) participaram ativamente das discussões, reforçando o papel da universidade como protagonista no processo de inovação regional.

A professora Déborah Camacho elogiou a interiorização do debate e ressaltou a importância da criação de um ecossistema de inovação. “Mais um passo importante da Frente Parlamentar que se desloca para o interior para esse diálogo, porque quando falamos em inovação, pensamos em ecossistema. E com muita alegria recebemos todos para esse debate com propostas da a FPTI, e também dos nossos alunos que estão elaborando projetos de leis alinhados com a tecnologia e inovação. Então, é muito importante essa possibilidade do consórcio, que é desafiador, mas tenho certeza que vai avançar”, afirmou.

A professora Waleska Martinazzo também destacou as ações desenvolvidas pela universidade em conjunto com a comunidade. “Os cursos de Direito e de Ciências da Computação atuam frente às novas tecnologias nos projetos de pesquisa e de extensão sobre Direito e Inteligência Artificial. Também já nos preparamos para oferecer duas pós-graduações na área. Atualmente temos mestrado em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação. Dentro do mestrado, precisamos trazer produtos inovadores e é nesse sentido que queremos trabalhar e mostrar que a Unemat está em sintonia com a coletividade”, afirmou Waleska.

Vereadores da região também manifestaram apoio à criação do consórcio – “A criação de um consórcio vai contribuir para o desenvolvimento da região”, disse o vereador Gustavo Ferreira (PRTB), de Barra do Bugres.

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“Precisamos avançar mais na área tecnológica”, afirmou o vereador Manoel Pedro Mendes Conceição (PSB), de Porto Estrela.

Em Nova Olímpia, o evento contou com a presença da secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ribeiro, que destacou a importância da iniciativa para a modernização da administração pública. “Essa reunião é imprescindível nos dias de hoje porque vemos que o mundo está mudando rapidamente e não podemos ficar de fora. Então, trazer essa discussão para tratar da criação do consórcio intermunicipal é muito benéfica para todos. Os processos administrativos precisam ser desburocratizados, e para isso é preciso que a tecnologia e inovação estejam aliadas aos avanços”, defendeu Patrícia.

O vereador Luiz Henrique Melo da Silva (PSDB) reforçou a importância do debate participativo para definição de estratégias que otimizem a gestão pública local. “O debate ampliado é fundamental para que as sugestões contribuam com os mecanismos que precisam avançar para otimizar o trabalho nos municípios, inclusive para priorizar recursos e consolidar os investimentos necessários”.

O prefeito de Nova Olímpia, Ari Cândido Batista (PL), também participou da reunião e pontuou a importância de que o consórcio seja eficiente e eficaz.

FPTI – A Frente Parlamentar da Tecnologia e Inovação (FPTI) é composta pelos deputados Beto Dois a Um, Diego Guimarães, Elizeu Nascimento, Fábio Tardin, Thiago Silva e Júlio Campos. Ela foi criada para discutir, propor e apoiar leis, regulamentações e políticas públicas voltadas para o fortalecimento do setor de tecnologia e inovação em Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT

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Audiência pública debate fortalecimento da rede de saúde mental em Mato Grosso

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Foto: Helder Faria

Na tarde desta segunda-feira (18), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu audiência pública para discutir a implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a efetivação da política antimanicomial no estado. O debate, requerido pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), foi realizado no Plenário Renê Barbour e fez alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

A data, dia 18 de maio, marca o movimento nacional em defesa do cuidado em liberdade para pessoas em sofrimento psíquico e reforça os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, instituída pela Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Paulo Delgado.

Carlos Avallone afirmou que o principal desafio é estruturar a rede de atendimento para garantir que a política antimanicomial funcione de forma efetiva no estado. “Quanto mais a gente melhorar essa atenção, melhor vai funcionar. Não adianta acabar com os hospitais psiquiátricos sem que a rede consiga absorver essas pessoas dentro do sistema necessário”, destacou.

Segundo o parlamentar, a audiência também teve como objetivo discutir gargalos e encaminhamentos para fortalecer a política de saúde mental em Mato Grosso. Entre os pontos debatidos estão a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a qualificação das equipes e a integração da rede para garantir atendimento adequado dos pacientes de saúde mental em qualquer lugar em que ele esteja. “Nós temos recursos para a saúde mental, ainda que não seja muito. O que está faltando é organização para gastar esses recursos”, apontou.

O presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso, Gabriel Figueiredo, explicou que a Reforma Psiquiátrica mudou o modelo de cuidado em saúde mental no Brasil. “A Lei Paulo Delgado trouxe diretrizes para o cuidado em liberdade e no território. A partir dela, o Brasil passou a enxergar essas pessoas com dignidade e direitos, garantindo reinserção social e acesso à família e ao trabalho”, afirmou.

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Segundo Gabriel, a RAPS foi criada justamente para substituir o modelo manicomial tradicional por serviços territorializados, como CAPS, residências terapêuticas e unidades de acolhimento. Ele ressaltou, no entanto, que a atual capacidade da rede ainda é insuficiente para atender a demanda do estado. “Mato Grosso possui uma pluralidade de povos e territórios que precisam de atenção específica, como indígenas e quilombolas. Ainda temos insuficiência de serviços mesmo nos centros urbanos, principalmente CAPS e unidades de acolhimento”, disse.

O promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto afirmou que o Ministério Público vem acompanhando a situação da saúde mental nos últimos anos e apontou avanços na ampliação do financiamento da rede. “Conseguimos um aporte de R$ 88 milhões em quatro anos para melhorar a contrapartida do [Governo do] Estado no financiamento dessas unidades”, explicou. Ele também destacou a necessidade de ampliar o número de profissionais especializados. “Não basta só ter a estrutura física. Se não houver profissionais qualificados, principalmente psiquiatras, o serviço não consegue funcionar plenamente”, disse.

Já o presidente da Associação Mato-Grossense de Psiquiatria, Paulo Saldanha, afirmou que a psiquiatria historicamente apoia o cuidado humanizado em saúde mental, mas alertou para a dificuldade de contratação de profissionais devido à baixa remuneração oferecida na rede pública. Segundo ele, um recente processo seletivo em Cuiabá ofertou salário de R$ 5,9 mil para médicos psiquiatras com carga horária de 20 horas semanais, valor muito abaixo dos pisos nacionais da categoria.

“A grande maioria dos psiquiatras do Brasil foi formada e fez sua especialização no SUS. Por que não podemos trabalhar onde fomos formados? Por que não podemos contribuir para isso?”, questionou.

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Representando a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), a enfermeira e Coordenadora de Organização das Redes de Atenção à Saúde (CORAS), Daniely Beatrice, participou da audiência e destacou que, embora a saúde mental seja tratada de forma transversal integrando diferentes linhas de cuidado, a ausência de uma coordenação estadual exclusiva e a limitação da equipe técnica representam grandes desafios estruturais.

Beatrice explicou que o estado possui atualmente 55 centros de atenção psicossocial (CAPS), mas necessita de mais 30 para atingir a meta populacional, um cenário complexo devido ao grande número de municípios com menos de 15 mil habitantes. Segundo ela, para preencher essa lacuna, a gestão investe na qualificação da Atenção Primária, tendo já capacitado 80 profissionais para o manejo de transtornos mentais baseado nas diretrizes da OMS.

A coordenadora sinalizou que a principal meta técnica para este ano é a implantação de leitos específicos de saúde mental em Hospitais Gerais e Regionais, desmistificando o atendimento de crise e consolidando os princípios da luta antimanicomial por meio do acesso qualificado em toda a rede. Ela ainda garantiu que levaria as demandas apresentadas para o poder executivo, garantindo que há orçamento e vontade para viabilizar ações.

Durante a audiência, representantes de órgãos públicos, entidades de saúde e movimentos sociais também discutiram estratégias para fortalecer a RAPS, ampliar o atendimento em saúde mental e garantir a reinserção social das pessoas em sofrimento psíquico no estado. Carlos Avallone também é presidente da Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O organismo realiza reuniões para tratar das demandas desse setor.

Fonte: ALMT – MT

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