Política MT
Botelho indica criação de Unidade Avançada do Corpo de Bombeiros para a região do CPA
Na sessão plenária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizada no dia 21 de janeiro, o deputado estadual Eduardo Botelho (Uniãol) apresentou a Indicação nº 217/2026, que solicita ao governo do estado a implantação de uma Unidade Avançada do Corpo de Bombeiros Militar na região do CPA, que abrange o bairro Morada da Serra e áreas adjacentes, em Cuiabá.
O pedido foi encaminhado ao governador do Estado, com cópia ao secretário de Estado de Segurança Pública, e tem como objetivo ampliar a capacidade de resposta a emergências em uma das regiões mais populosas e urbanizadas da capital.
De acordo com Botelho, o crescimento populacional, o intenso fluxo de pessoas, a presença de comércios, instituições de ensino e a expansão imobiliária tornam urgente a instalação de uma base avançada dos bombeiros no CPA. “Estamos falando de uma região estratégica, com alta densidade populacional e grande circulação de veículos. A proximidade de uma unidade do Corpo de Bombeiros pode salvar vidas e reduzir significativamente os danos em situações de emergência”, destacou o parlamentar.
Na justificativa apresentada, o deputado ressaltou que a distância das unidades atualmente existentes compromete o tempo de resposta em casos de incêndios, acidentes de trânsito, salvamentos e outras ocorrências. A nova unidade permitiria atendimento mais rápido, maior cobertura para bairros vizinhos e fortalecimento das ações de prevenção e educação junto à comunidade.
A proposta prevê a criação de um posto equipado e com equipe treinada para atender as ocorrências mais frequentes, com possibilidade de encaminhamento ao quartel principal nos casos de maior complexidade.
“É uma medida de segurança pública essencial para garantir mais proteção às famílias do CPA e de toda a região norte de Cuiabá”, concluiu Botelho.
Segundo o presidente do bairro CPA 1, Arley Xavier, a instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) na região é considerada uma necessidade urgente para garantir maior segurança à população. Ele recorda que a reivindicação já foi apresentada em duas reuniões entres Lideres Comunitários da Região Norte realizadas no Centro Comunitário, com a presença do secretário de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (SESP-MT), coronel da PMMT César Augusto Roveri.
Arley explica que o pedido por um posto avançado do Corpo de Bombeiros ganhou força após um incêndio registrado no CPA 1, no ano de 2025. “Na ocasião, o atendimento demorou mais de uma hora para chegar e, quando os bombeiros conseguiram acessar o local, o fogo já havia destruído completamente o imóvel, disse também que a demora ocorreu devido a distância da Unidade até o local do sinistro, se já existisse uma unidade do Corpo de Bombeiros na região, os danos teriam sido muito menores”, destacou o presidente.
Fonte: ALMT – MT
Política MT
Audiência pública debate fortalecimento da rede de saúde mental em Mato Grosso
Foto: Helder Faria
Na tarde desta segunda-feira (18), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu audiência pública para discutir a implementação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a efetivação da política antimanicomial no estado. O debate, requerido pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), foi realizado no Plenário Renê Barbour e fez alusão ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial.
A data, dia 18 de maio, marca o movimento nacional em defesa do cuidado em liberdade para pessoas em sofrimento psíquico e reforça os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira, instituída pela Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Paulo Delgado.
Carlos Avallone afirmou que o principal desafio é estruturar a rede de atendimento para garantir que a política antimanicomial funcione de forma efetiva no estado. “Quanto mais a gente melhorar essa atenção, melhor vai funcionar. Não adianta acabar com os hospitais psiquiátricos sem que a rede consiga absorver essas pessoas dentro do sistema necessário”, destacou.
Segundo o parlamentar, a audiência também teve como objetivo discutir gargalos e encaminhamentos para fortalecer a política de saúde mental em Mato Grosso. Entre os pontos debatidos estão a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a qualificação das equipes e a integração da rede para garantir atendimento adequado dos pacientes de saúde mental em qualquer lugar em que ele esteja. “Nós temos recursos para a saúde mental, ainda que não seja muito. O que está faltando é organização para gastar esses recursos”, apontou.
O presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso, Gabriel Figueiredo, explicou que a Reforma Psiquiátrica mudou o modelo de cuidado em saúde mental no Brasil. “A Lei Paulo Delgado trouxe diretrizes para o cuidado em liberdade e no território. A partir dela, o Brasil passou a enxergar essas pessoas com dignidade e direitos, garantindo reinserção social e acesso à família e ao trabalho”, afirmou.
Segundo Gabriel, a RAPS foi criada justamente para substituir o modelo manicomial tradicional por serviços territorializados, como CAPS, residências terapêuticas e unidades de acolhimento. Ele ressaltou, no entanto, que a atual capacidade da rede ainda é insuficiente para atender a demanda do estado. “Mato Grosso possui uma pluralidade de povos e territórios que precisam de atenção específica, como indígenas e quilombolas. Ainda temos insuficiência de serviços mesmo nos centros urbanos, principalmente CAPS e unidades de acolhimento”, disse.
O promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto afirmou que o Ministério Público vem acompanhando a situação da saúde mental nos últimos anos e apontou avanços na ampliação do financiamento da rede. “Conseguimos um aporte de R$ 88 milhões em quatro anos para melhorar a contrapartida do [Governo do] Estado no financiamento dessas unidades”, explicou. Ele também destacou a necessidade de ampliar o número de profissionais especializados. “Não basta só ter a estrutura física. Se não houver profissionais qualificados, principalmente psiquiatras, o serviço não consegue funcionar plenamente”, disse.
Já o presidente da Associação Mato-Grossense de Psiquiatria, Paulo Saldanha, afirmou que a psiquiatria historicamente apoia o cuidado humanizado em saúde mental, mas alertou para a dificuldade de contratação de profissionais devido à baixa remuneração oferecida na rede pública. Segundo ele, um recente processo seletivo em Cuiabá ofertou salário de R$ 5,9 mil para médicos psiquiatras com carga horária de 20 horas semanais, valor muito abaixo dos pisos nacionais da categoria.
“A grande maioria dos psiquiatras do Brasil foi formada e fez sua especialização no SUS. Por que não podemos trabalhar onde fomos formados? Por que não podemos contribuir para isso?”, questionou.
Representando a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES/MT), a enfermeira e Coordenadora de Organização das Redes de Atenção à Saúde (CORAS), Daniely Beatrice, participou da audiência e destacou que, embora a saúde mental seja tratada de forma transversal integrando diferentes linhas de cuidado, a ausência de uma coordenação estadual exclusiva e a limitação da equipe técnica representam grandes desafios estruturais.
Beatrice explicou que o estado possui atualmente 55 centros de atenção psicossocial (CAPS), mas necessita de mais 30 para atingir a meta populacional, um cenário complexo devido ao grande número de municípios com menos de 15 mil habitantes. Segundo ela, para preencher essa lacuna, a gestão investe na qualificação da Atenção Primária, tendo já capacitado 80 profissionais para o manejo de transtornos mentais baseado nas diretrizes da OMS.
A coordenadora sinalizou que a principal meta técnica para este ano é a implantação de leitos específicos de saúde mental em Hospitais Gerais e Regionais, desmistificando o atendimento de crise e consolidando os princípios da luta antimanicomial por meio do acesso qualificado em toda a rede. Ela ainda garantiu que levaria as demandas apresentadas para o poder executivo, garantindo que há orçamento e vontade para viabilizar ações.
Durante a audiência, representantes de órgãos públicos, entidades de saúde e movimentos sociais também discutiram estratégias para fortalecer a RAPS, ampliar o atendimento em saúde mental e garantir a reinserção social das pessoas em sofrimento psíquico no estado. Carlos Avallone também é presidente da Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O organismo realiza reuniões para tratar das demandas desse setor.
Fonte: ALMT – MT
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