EMBATE POLÍTICO
“A ação não trata da eleição da Câmara”, diz Prefeito ao rebater críticas do Presidente da ALMT
Prefeito afirma que processo questiona apenas o quórum exigido para aprovação de projetos do Executivo e nega tentativa de interferir na eleição da Mesa Diretora do Legislativo cuiabano.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), rebateu as críticas feitas pelo presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (Podemos), e negou que a ação apresentada à Justiça tenha como objetivo interferir na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal.
Segundo Abilio, a interpretação feita por Max Russi não corresponde ao conteúdo do processo judicial. O prefeito afirmou que o deputado provavelmente baseou sua declaração em informações divulgadas pela imprensa, e não na análise da ação protocolada.
“Provavelmente essa declaração dele deve ter sido baseada em matérias que foram veiculadas pela internet e não pelo processo em si. Porque, se ele observasse o processo, veria que não se trata do Regimento Interno baseado no processo de eleição da Câmara Municipal”, declarou.
De acordo com o prefeito, a ação judicial contesta exclusivamente a exigência de quórum de dois terços dos vereadores para aprovação de determinadas matérias, como o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo. Na avaliação dele, a regra dificulta a aprovação de projetos considerados estratégicos para a gestão municipal.
“Nós entramos com uma ação porque há uma polarização política na Câmara Municipal e, por conta de um voto, a gente pode não aprovar o Plano Diretor”, afirmou.
Abilio também citou a proposta que reduz para 200 metros quadrados o tamanho mínimo dos terrenos destinados à construção civil como um dos projetos que, segundo ele, podem ser prejudicados pela atual regra de votação.
O prefeito argumentou ainda que a exigência de dois terços prevista no Regimento Interno da Câmara contraria o princípio da simetria constitucional. Segundo ele, matérias dessa natureza deveriam ser aprovadas pela maioria simples dos vereadores presentes à sessão.
“O Regimento Interno da Câmara define o quórum de dois terços para aprovar o Plano Diretor, sendo que a simetria da Constituição Federal define que o quórum é a maioria dos presentes”, disse.
Abilio reforçou que a ação judicial não questiona a recondução da Mesa Diretora nem propõe alterações relacionadas à criação ou funcionamento de comissões parlamentares de inquérito (CPIs).
“Quem vai mexer no Poder Legislativo, se vai ter reeleição, se não vai ter reeleição, se vai aumentar a CPI ou se não vai aumentar a CPI, são os vereadores. Eu não estou tratando da reeleição da Câmara. Estou tratando do quórum necessário para aprovação dos projetos da Prefeitura”, declarou.
As críticas partiram do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, que classificou a iniciativa do prefeito como uma interferência nas regras internas do Poder Legislativo e afirmou que a medida enfraquece a autonomia da Câmara Municipal.
Apesar da negativa de Abilio, o processo judicial faz referência ao Projeto de Resolução nº 15/2026, de autoria do vereador Marcus Brito Júnior (PV). A proposta altera o Regimento Interno da Câmara para permitir uma recondução ao mesmo cargo da Mesa Diretora, o que, na prática, pode abrir caminho para uma nova candidatura da atual presidente da Casa, Paula Calil (PL). O projeto já recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação e segue em tramitação.
Política MT
“Quem quiser sair do PL, que saia”, afirma Vereador ao cobrar fidelidade de prefeitos que apoiam Pivetta; VEJA VÍDEO
Ranalli defende punição a gestores filiados ao PL que declararem apoio a candidatos de outras siglas nas eleições de 2026
O vereador por Cuiabá Rafael Ranalli (PL) afirmou que prefeitos filiados ao Partido Liberal que pretendem apoiar candidaturas de outras siglas nas eleições de 2026 deveriam deixar o partido. A declaração foi feita ao comentar o movimento de alguns gestores municipais que já manifestaram apoio ao vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Ranalli disse que o PL ainda não definiu a data de suas convenções estaduais, mas afirmou que a legenda já se prepara para o processo eleitoral. Segundo ele, os pré-candidatos estão atentos aos prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral e focados na organização das candidaturas.
Ao comentar a possibilidade de lideranças deixarem o partido, como a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), citada em especulações sobre uma possível filiação ao Republicanos, o vereador adotou um discurso duro e afirmou que ninguém é obrigado a permanecer na legenda.
“Quem quiser sair, que saia. A porta da rua está aberta. Vai ficar usando a bandeira do 22, do Bolsonaro e da direita até quando? Se não está satisfeito, é só sair do partido”, declarou.
O parlamentar também criticou políticos que, segundo ele, foram eleitos com o apoio do eleitorado bolsonarista, mas agora deixam de apoiar os candidatos do próprio PL.
“É fácil se eleger com a nossa bandeira e depois pisar nela. O PL tem cerca de 60% dos votos em Mato Grosso. Quem foi eleito com essa força política precisa retribuir esse apoio”, afirmou.
O Vereador defendeu que candidatos proporcionais e majoritários mantenham apoio mútuo durante a campanha e disse que a fidelidade partidária deve ser respeitada.
Questionado sobre a possibilidade de punição aos prefeitos que declararem apoio a candidatos de outras legendas, o vereador afirmou que a decisão cabe à direção estadual do partido, mas disse concordar com eventuais sanções.
“Se o presidente Ananias resolver punir prefeitos que não apoiam os candidatos do PL, eu concordo. Quem é do PL tem que apoiar os candidatos do 22”, disse.
Durante a entrevista, Ranalli também comentou uma eventual composição entre PL e MDB na disputa pelo Senado. Segundo ele, caso a orientação seja definida pelas direções nacional e estadual do partido, todos os filiados deverão seguir a decisão.
Por fim, o vereador afirmou que muitos políticos mudaram de posicionamento ao longo dos anos e defendeu coerência ideológica entre aqueles que se identificam com o campo conservador.
“A maioria dos políticos acompanha o cenário político do momento. Hoje muitos estão na direita, mas já estiveram em outro campo político. É preciso ter cuidado com quem muda de lado conforme a conveniência”, concluiu.
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