OPERAÇÃO MAKE UP
Produtora de “Dark Horse” afirma: “Estou apavorada” após ser alvo de operação da PF
Karina Gama nega envolvimento na captação de recursos e diz que foi pressionada a fazer delação premiada
Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment e um dos alvos da Operação Make Up, afirmou que está se sentindo ameaçada e pressionada para fazer uma delação premiada. A operação da Polícia Federal investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares relacionados ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em conversa com a imprensa, realizada um dia antes do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a produtora relatou que pessoas teriam ido até sua residência durante a noite se identificando como oficiais de Justiça, mas sem apresentar documentos. Segundo ela, fornecedores e familiares também teriam sido procurados.
“Estou apavorada”, afirmou Karina.
A empresária disse que está colaborando com as investigações e que entregou imediatamente os documentos solicitados pela Polícia Federal. “Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, declarou.
Karina também afirmou ter sido procurada por um pastor evangélico de Brasília que, segundo ela, teria oferecido ajuda e sugerido um acordo de delação premiada. A produtora, porém, nega ter qualquer informação sobre os financiadores do longa.
“Eu nunca captei dinheiro para o filme, eu nunca lidei com financiadores. Eu não sei nada sobre isso. Eu prestei um serviço, de produzir o ‘Dark Horse’, e fui remunerada”, afirmou.
A investigação sobre o longa também envolve recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as apurações, US$ 12,3 milhões foram enviados para financiar a produção após pedidos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os recursos teriam passado pelo fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto.
Karina confirmou ter recebido recursos do fundo para produzir o filme, mas afirmou que desconhecia a identidade dos financiadores. “Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores”, disse.
Sobre os R$ 2 milhões em emendas destinados pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao Instituto Conhecer Brasil, Karina afirmou que o dinheiro que ainda não foi utilizado permanece em caixa. Segundo ela, os recursos foram destinados a um projeto de letramento financeiro para jovens empreendedores e começaram a ser utilizados neste ano.

Brasil
PF mira Mário Frias e produtora de “Dark Horse” em investigação sobre suposto desvio de emendas
Operação Make Up cumpre 49 mandados de busca em quatro estados e no Distrito Federal, sem ordens de prisão
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (10), a Operação Make Up para investigar suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares que teriam sido destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment Ltd., produtora responsável pela obra. Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. As ordens foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Não há mandados de prisão.
A investigação é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e apura a existência de uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e privados. Segundo a PF, os envolvidos teriam direcionado recursos para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.
Ainda conforme a corporação, análises financeiras identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema investigado. Entre os crimes apurados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos relacionados a licitações.
O nome de Mário Frias aparece na investigação porque o deputado é apontado como autor do roteiro de “Dark Horse” e destinou, em 2024, R$ 2 milhões em emendas parlamentares para uma organização não governamental ligada ao filme.
Em agosto, Flávio Dino autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal de dados apreendidos em uma operação anterior da Polícia Civil de São Paulo que teve Karina Gama como alvo. A PF solicitou acesso ao material para ampliar a apuração sobre possíveis desvios de recursos públicos envolvendo a produtora.
Em maio, a defesa de Mário Frias negou ao STF que o deputado tenha participado de qualquer triangulação de recursos de emendas para financiar o longa-metragem. Na ocasião, classificou a suspeita como “puramente especulativa”, baseada em “pré-julgamento”.
A investigação começou após uma operação realizada em junho pela Polícia Civil de São Paulo para apurar suspeitas de fraude em uma licitação de R$ 108 milhões vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Karina. Na ocasião, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, incluindo endereços relacionados à empresária, à Go UP, ao ICB e à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.
Os investigadores também solicitaram acesso a análises do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações realizadas pelo ICB, pela Go UP e por Karina. Uma das suspeitas é de que parte dos recursos possa ter sido transferida para a produtora durante o período de produção de “Dark Horse”.
Segundo as informações que baseiam a investigação, mais de 90% do orçamento do filme teria sido financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal também são citadas na apuração sobre o financiamento da obra.
As diligências desta quinta-feira buscam reunir novos elementos sobre a origem e o destino dos recursos, além de identificar outras pessoas e empresas que possam estar envolvidas no esquema investigado.
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