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APÓS DESFILE NO RIO

Pastor afirma que integrantes de escola que homenageou Lula “terão câncer na garganta”

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Declaração foi feita durante culto e repercutiu nas redes após apresentação da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí

O pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus de Perus, afirmou durante culto realizado nesta segunda-feira que integrantes da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval do Rio de Janeiro, “terão câncer na garganta”. A declaração foi registrada em vídeo e divulgada nas redes sociais.

A manifestação ocorreu após o desfile realizado no domingo na Marquês de Sapucaí. Na apresentação, a escola levou à avenida uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, com fantasias que retratavam famílias religiosas dentro de latas. O segmento gerou críticas de parte do público evangélico e provocou reações nas redes sociais.

Em vídeo publicado em seu perfil e nas páginas da igreja, o pastor declarou: “Não vamos responder às provocações que fizeram nas escolas de samba. […] Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram”.

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A fala repercutiu amplamente, sendo compartilhada tanto por apoiadores quanto por críticos, e ampliou o debate sobre liberdade religiosa, manifestações artísticas e discurso político no contexto do carnaval.

Após o desfile, lideranças religiosas e políticos também se manifestaram. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que a apresentação expôs “a fé cristã ao escárnio” e defendeu que a laicidade do Estado não autoriza “zombaria e humilhação”. Integrantes da Frente Parlamentar Evangélica também criticaram o conteúdo da ala.

O deputado Gilberto Nascimento classificou a fantasia como “inadmissível”, enquanto o deputado Nikolas Ferreira mencionou o episódio ao falar sobre as próximas eleições. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que houve “ataque à fé de milhões de brasileiros”, e o governador Romeu Zema acusou a escola de preconceito religioso. Já a senadora Damares Alves criticou o uso de verba pública na apresentação.

Procurada, a escola Acadêmicos de Niterói não respondeu diretamente às críticas. Em nota divulgada após o desfile, a agremiação afirmou que enfrentou pressões durante a preparação do carnaval e declarou ter sofrido “ataques políticos” e resistência de setores conservadores.

Veja o vídeo

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Agronegócio

Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare

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Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.

O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.

A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.

A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.

Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.

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A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.

Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.

Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.

Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.

Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.

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O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.

Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.

Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.

Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.

Fonte: Pensar Agro

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