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ARTIGO DE OPINIÃO - AGNELO CORBELINO

“Não é Roubo, é Engenharia” Quem Está Por Trás dos Milhões Desaparecidos em Mato Grosso?

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Nos últimos anos, o debate sobre corrupção em Mato Grosso passou por uma transformação silenciosa, mas relevante. Se antes os escândalos estavam diretamente associados à atuação de agentes políticos, hoje o cenário indica uma mudança de protagonismo: estruturas empresariais e contratos públicos assumem papel central nos mecanismos de desvio de recursos.

Essa alteração não significa, necessariamente, a redução da corrupção — mas sim sua adaptação.

O modelo tradicional, baseado em esquemas mais visíveis e concentrados, dá lugar a uma dinâmica mais sofisticada, marcada por fragmentação financeira, intermediação empresarial e maior complexidade técnica. Nesse contexto, o agente público muitas vezes deixa de ser o executor direto e passa a atuar como facilitador de processos estruturados fora da esfera estritamente política.

As licitações e os contratos administrativos se consolidam como pontos sensíveis desse sistema. É nesse ambiente que se concentram práticas como sobrepreço, direcionamento de concorrências, terceirizações estratégicas e execução contratual com baixa fiscalização efetiva.

Ao mesmo tempo, é inegável que houve avanços institucionais. Órgãos de controle ampliaram sua atuação, mecanismos de transparência foram fortalecidos e a fiscalização ganhou maior capacidade técnica. No entanto, esses avanços caminham paralelamente à evolução das práticas ilícitas, que incorporam ferramentas financeiras mais complexas e estruturas organizadas.

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O resultado é um cenário de difícil percepção pública. Diferentemente dos grandes escândalos do passado, que concentravam volumes expressivos de recursos em operações pontuais, o modelo atual tende à dispersão: múltiplos contratos de médio porte, com desvios diluídos ao longo do tempo.

Esse padrão reduz a visibilidade dos ilícitos e dificulta a mobilização social, ainda que o impacto financeiro agregado permaneça elevado.

Outro aspecto relevante é a descentralização do risco. Municípios, convênios e contratos indiretos passam a ocupar posição estratégica nesse contexto, ampliando a complexidade do controle e exigindo maior integração entre os órgãos de fiscalização.

Diante desse cenário, a questão central deixa de ser apenas “quem desvia”, e passa a ser “como o sistema permite o desvio”.

Os indícios apontam para um processo de profissionalização dessas práticas, com planejamento, divisão de funções e mecanismos de ocultação mais refinados. Trata-se de um modelo que não depende exclusivamente de governos específicos, mas que se adapta às estruturas existentes, atravessando diferentes gestões.

A corrupção, nesse formato, torna-se menos visível — mas não menos relevante.

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O desafio, portanto, não está apenas na repressão, mas na capacidade de antecipação, revisão de modelos contratuais e fortalecimento dos mecanismos de controle sobre a execução dos recursos públicos.

Mais do que identificar culpados, é necessário compreender a engrenagem.

Porque, no cenário atual, o problema não é apenas o desvio.

É a engenharia por trás dele.

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Direita de Resultado ou Disputa de Poder?

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A declaração do prefeito Abílio Brunini, ao afirmar que “a direita é uma direita de resultados”, em resposta ao vice-governador Otaviano Pivetta, não é apenas um posicionamento político pontual. Ela revela um movimento mais amplo de reorganização dentro da direita em Mato Grosso.

O debate, à primeira vista, pode parecer apenas semântico. No entanto, ao observar o cenário político com mais atenção, percebe-se que há uma disputa estratégica em curso.

De um lado, surge a tentativa de consolidar uma “direita de resultados”, com foco em gestão, eficiência e pragmatismo. Trata-se de um reposicionamento que busca dialogar com setores empresariais e com um eleitorado menos ideológico e mais voltado à entrega de resultados concretos.

De outro, há resistência a essa classificação. Parte da direita rejeita novos rótulos, defendendo que a busca por resultados sempre foi inerente ao campo conservador. Para esse grupo, a fragmentação pode enfraquecer a base política e gerar divisão interna.

Nesse contexto, o surgimento de uma “centro-direita” mais moderada não ocorre por acaso. É um movimento calculado para ampliar o alcance eleitoral e ocupar espaços estratégicos no cenário político.

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O risco, no entanto, é evidente: ao tentar suavizar o discurso, pode-se perder identidade — um elemento fundamental para a manutenção de apoio entre eleitores mais alinhados ideologicamente.

Em Mato Grosso, esse debate ganha contornos ainda mais relevantes. O eleitorado local, majoritariamente conservador, também se mostra altamente pragmático. Mais do que discurso, cobra resultados.

Dessa forma, a disputa em curso não se resume a uma divergência ideológica. Trata-se de uma disputa por espaço, influência e protagonismo político.

No fim, prevalecerá não quem melhor define o conceito de direita, mas quem conseguir equilibrar identidade, capacidade de gestão e entrega de resultados concretos.

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