Agronegócio
Europa enfrenta pior seca em pelo menos 500 anos
Conforme informado por uma agência da União Europeia, nesta terça-feira (23), a Europa está enfrentando a sua pior seca em pelo menos 500 anos. Ao menos 47% do continente está em alerta, apresentando déficit da umidade do solo, e outros 17% estão em estado de alerta, com a vegetação sendo afetada, segundo o relatório de agosto do Observatório Europeu da Seca (EDO), supervisionado pela Comissão Europeia
Com a seca se expandindo e se intensificando desde o início do mês de agosto, o clima vem reduzindo o transporte fluvial, a produção de eletricidade e os rendimentos das safras de algumas culturas, como a do milho e da soja.
As colheitas de verão sofreram, principalmente, visto que o rendimento do milho de 2022 tendendo a ser 16% inferior à média dos cinco anos anteriores. Além disso, os rendimentos da soja e do girassol ainda podem reduzir em até 15% e 12%, respectivamente.
A geração de energia hidrelétrica e outros produtores de energia também foram atingidos pela escassez da água, já que não há níveis suficientes para alimentar os sistemas de refrigeração. Os baixos níveis de água ainda prejudicaram o transporte terrestre, como ao longo do Reno, limitando os embarques de petróleo e carvão.
Ainda de acordo com o relatório do EDO, a região mediterrânea provavelmente irá enfrentar condições mais quentes e secas até o mês de novembro.
Fonte: AgroPlus
Agronegócio
Risco de geada no Sul agrava escassez e faz preço do feijão bater recordes
O feijão voltou ao centro das preocupações do mercado agrícola brasileiro. Com oferta curta, dificuldade para encontrar produto de qualidade e ameaça de geadas sobre áreas produtoras do Sul do país, os preços dispararam nas últimas semanas e já atingem patamares históricos em algumas regiões.
O movimento é puxado principalmente pelo feijão carioca, variedade mais consumida pelos brasileiros. Em importantes polos produtores de São Paulo e Minas Gerais, lotes considerados “extra” já superam R$ 430 por saca no mercado físico. Em negociações destinadas ao abastecimento da capital paulista, negócios pontuais chegaram perto de R$ 470 por saca — um dos maiores níveis já registrados para a cultura.
A escalada dos preços acontece em um momento delicado para o abastecimento. O mercado enfrenta escassez justamente dos grãos de melhor qualidade, enquanto produtores seguram parte da oferta apostando em novas altas. Empacotadoras e atacadistas relatam dificuldade para montar lotes homogêneos, o que elevou a disputa pelos feijões classificados como nota alta.
Ao mesmo tempo, problemas climáticos aumentam a tensão sobre a segunda safra 2025/26. Paraná e Minas Gerais tiveram atrasos no plantio, excesso de chuvas e ritmo lento de colheita nas últimas semanas. Agora, a chegada do frio intenso ao Sul do Brasil adiciona um novo fator de preocupação.
As geadas passaram a entrar no radar do setor justamente em uma fase importante para parte das lavouras. Técnicos alertam que o frio pode comprometer enchimento dos grãos, peneira e qualidade final da produção, reduzindo ainda mais a disponibilidade de feijão premium no mercado.
A pressão já começa a contaminar também o mercado do feijão preto. Tradicionalmente mais barato, ele passou a ganhar competitividade diante da disparada do carioca e vem registrando forte valorização nas últimas semanas. Em algumas regiões do Paraná, as cotações saltaram de cerca de R$ 160 para perto de R$ 200 por saca em poucos dias.
O avanço do feijão preto reflete uma migração parcial do consumo. Com o carioca cada vez mais caro, parte do varejo e dos consumidores começou a buscar alternativas para reduzir custos, aumentando a demanda pela variedade preta.
O cenário preocupa porque o feijão é um dos produtos mais sensíveis ao abastecimento interno. Diferentemente da soja ou do milho, grande parte da produção é destinada ao consumo doméstico e trabalha com estoques historicamente apertados. Quando há quebra de qualidade ou retenção de oferta, o impacto nos preços costuma ser rápido.
Hoje, o Brasil produz entre 2,8 milhões e 3 milhões de toneladas de feijão por ano, somando as três safras cultivadas em diferentes regiões do país. Paraná, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Mato Grosso estão entre os principais produtores nacionais.
Com a combinação entre oferta restrita, clima adverso e estoques reduzidos, analistas avaliam que o mercado deve continuar pressionado nas próximas semanas, mantendo os preços em níveis elevados tanto para o produtor quanto para o consumidor final.
Fonte: Pensar Agro
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