Agronegócio
Agro supera mineração e consolida liderança nas exportações do Estado
O agronegócio mineiro consolidou sua posição como principal motor das exportações de Minas Gerais ao registrar resultados recordes nos últimos dois anos, superando, pela primeira vez, a mineração — tradicional carro-chefe da pauta externa do Estado.
Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (18.03), durante evento promovido pelo Sistema Faemg Senar (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).
Em 2024, o setor alcançou receita de aproximadamente R$ 90 bilhões com exportações. No ano seguinte, o avanço foi ainda mais expressivo: cerca de R$ 104 bilhões, alta de 15,5%, mantendo o agro na liderança da balança comercial mineira. O desempenho reflete a ampliação da presença internacional dos produtos do Estado, que hoje chegam a 178 países, com um portfólio diversificado de cerca de 650 itens.
O peso econômico também se reflete no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2024, o PIB do agronegócio mineiro atingiu R$ 235 bilhões, respondendo por 22,2% da economia estadual. O resultado reforça a centralidade do setor não apenas nas exportações, mas também na geração de renda e emprego em Minas Gerais.
A pauta exportadora segue concentrada em produtos de alta competitividade. O café permanece como principal item, responsável por 57% da receita externa do agro mineiro, evidenciando tanto a força da cultura quanto a dependência do Estado em relação ao produto.
A expansão recente é atribuída a uma combinação de fatores, como ganhos de produtividade, diversificação de mercados e fortalecimento da agroindústria. A estratégia inclui agregação de valor, abertura de novos destinos comerciais e avanço em processos de desburocratização, além de maior integração entre os elos da cadeia produtiva.
O encontro reuniu cerca de 5 mil produtores rurais de diferentes segmentos, refletindo a capilaridade e a organização do setor no Estado. O desempenho recente reforça o avanço de Minas Gerais no ranking nacional do agronegócio.
O Estado já ocupa a terceira posição entre as maiores economias agrícolas do País, atrás apenas de Mato Grosso e Paraná, e vem ampliando sua participação tanto no PIB agropecuário quanto nas exportações. O crescimento de 15,5% nas vendas externas em 2025, acima da média nacional, evidencia a aceleração desse movimento, sustentado principalmente pelo café, mas com avanço relevante de outras cadeias produtivas e maior diversificação de mercados.
Apesar dos resultados positivos, o setor ainda enfrenta desafios estruturais, como custos logísticos, acesso a crédito e necessidade de ampliação da infraestrutura. Ainda assim, o desempenho recente indica um ciclo de expansão sustentado, com potencial de avanço tanto em volume quanto em valor agregado nas exportações.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócio
Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar
A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.
Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.
A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.
Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.
Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.
Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.
A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.
O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.
Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.
A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.
Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.
A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.
A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.
Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.
Fonte: Pensar Agro
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