Saúde
Anvisa volta com obrigação de máscaras em aviões e aeroportos
Diante do aumento do número de casos de Covid-19 no país, a maioria dos diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta terça-feira voltar com a obrigação de uso de máscaras em aviões e aeroportos. A votação da medida foi incluída de última hora na sessão do órgão que aprovou o registro de uma nova vacina da Pfizer contra o vírus.
A obrigatoriedade de uso de máscaras será retomada pouco mais de três meses após a Anvisa ter flexilizado a exigência diante do arrefecimento da pandemia. Como mostrou o GLOBO na semana passada, porém, 12 estados brasileiros, além do Distrito Federal, relatam aumento de notificações da doença, depois de um longo período de baixos registros na pandemia.
Apenas o diretor Daniel Ferreira votou pela não obrigatoriedade e sim pelo reforço da recomendação pelo uso da proteção individual. O diretor Alex Campos, primeiro a votar a favor do retorno da obrigação, afirmou que o cenário epidemiológico atual acende um “alerta” para soluções mais eficientes para minimizar os efeitos da pandemia.
— Apesar da melhoria do quadro epidemiológico, apesar da ampliação da cobertura vacinal, é sabido que a mudança no cenário epidemiológico alerta hoje o mundo inteiro. […] Acho que o cenário epidemiológico convida a agência a uma outra decisão. A recomendação já consta na norma vigente da Anvisa. O fato é que caminhamos agora para um cenário epidemiológico que acende a luz de alerta e acende o compromisso da Anvisa em buscar soluções que são mais eficientes para minimizar os efeitos no momento da pandemia — afirmou.
O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, alertou, ainda, que o final do ano pode agravar a atual situação epidemiológica, uma vez que há um aumento na circulação de pessoas e, portanto, um aumento da exposição, além das festas de final de ano e férias escolares. A diretora Meiruze Freitas por sua vez, ressaltou que a mensagem que é preciso ser passada pela Anvisa neste momento é de “maior controle” e “restrição”.
A alta de contágios, em meio à descoberta de uma nova subvariante da Ômicron, a BQ.1, evidencia a circulação do coronavírus no país. A taxa de positividade nos testes para Covid cresceu no Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo, e no DF, segundo os dados das respectivas pastas da saúde. Em alguns estados, a alta de contágios já se reflete na maior procura por atendimento em ambulatórios e hospitalizações.
O cenário vem de um somatório de causas, da globalização que mantém o Sars-CoV-2 circulante, além de suas variantes, e até o frio atípico no Brasil em pleno novembro.
O contágio da Covid-19 se dá pelas vias respiratórias, por aerossóis (partículas menores que 5 micrômetros via tosse, espirro, respiração ou fala) e por gotículas. A obrigatoriedade do uso de máscaras em aviões e nos aeroportos entrou em vigor pela primeira vez ainda em 2020, início da pandemia.
O GLOBO
Saúde
“Após duas mortes e 42 reações graves, Ministério da Saúde suspende vacina do Butantan contra a dengue”
Aplicação do imunizante foi interrompida de forma preventiva enquanto especialistas investigam eventos adversos registrados após a vacinação
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o registro de 42 casos de reações adversas mais graves, incluindo três internações e duas mortes de pessoas que haviam recebido a vacina.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda não há comprovação de que os óbitos e demais ocorrências tenham sido provocados pelo imunizante. No entanto, os casos serão analisados por especialistas como medida de precaução.
De acordo com o ministro, a suspensão temporária permitirá que o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Instituto Butantan aprofundem as investigações para identificar possíveis fatores de risco associados aos eventos registrados.
Padilha ressaltou que a decisão não representa perda de confiança na vacina nem na instituição responsável pelo seu desenvolvimento. Segundo ele, a medida tem caráter preventivo e busca garantir a segurança da população.
A interrupção afeta exclusivamente a vacina produzida pelo Butantan. O imunizante Qdenga, desenvolvido pela Takeda e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), continua sendo aplicado normalmente.
Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas até o dia 30 de maio. O imunizante foi incorporado ao SUS em janeiro deste ano e passou a ser utilizado inicialmente em municípios selecionados para avaliação de seu impacto na dinâmica da doença.
A estratégia contemplou ações de vacinação em Botucatu, Maranguape e Nova Lima, com foco em adolescentes e adultos entre 15 e 59 anos. Posteriormente, a campanha também foi ampliada para a região de Araguaína.
Em fevereiro, o SUS iniciou ainda a imunização de profissionais da atenção primária à saúde, com expectativa de alcançar cerca de 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente.
O Ministério da Saúde destacou que a suspensão temporária não invalida a eficácia da vacina nem retira a proteção já adquirida pelas pessoas imunizadas. A pasta reforçou que a medida busca garantir tempo adicional para análises técnicas e identificação de eventuais fatores associados aos casos investigados.
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