AGRONEGÓCIO E INOVAÇÃO
“Produtor enfrenta insegurança jurídica e juros altos”, diz pré-candidata Ana Rosa Job em debate sobre integração pecuária-teca em MT
Evento em Cáceres reuniu pesquisadores da Embrapa, produtores e lideranças do agronegócio para discutir modelo silvipastoril e desafios de crédito no campo
Amostra Boiteca debate integração Pecuária-Teca em Mato Grosso; advogada e pré candidata estadual Ana Rosa Job defende segurança jurídica para o setor
Evento realizado em Cáceres reuniu pesquisadores da Embrapa, lideranças do agronegócio e debateu barreiras burocráticas e gargalos de crédito que afetam o produtor rural.
CÁCERES (MT) – O futuro da produção sustentável e os avanços no sistema que integra a pastagem ao cultivo de teca (modelo silvipastoril) foram os temas centrais da 3ª Amostra Boiteca, realizada nesta terça-feira (23) na Fazenda Duas Lagoas, em Cáceres (MT). O evento, promovido pela TRC — empresa pioneira no plantio da cultura no estado —, reuniu pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), produtores rurais e lideranças políticas para debater soluções econômicas, científicas e ambientais para o setor produtivo mato-grossense.
Presente no encontro, a advogada e pré-candidata a deputada estadual Ana Rosa Job (NOVO) destacou-se nos debates macroeconômicos sobre o setor. Ao analisar o cenário atual, ela criticou as barreiras burocráticas e a volatilidade do crédito que impactam quem investe na cadeia de florestas plantadas.
“O produtor mato-grossense enfrenta um cenário governamental que muitas vezes afugenta o investimento externo por meio da burocracia excessiva e da insegurança jurídica. Além disso, o acesso ao crédito esbarra em taxas de juros elevadas que sufocam a capacidade de inovação e expansão de projetos de longo prazo, como o da teca”, pontuou Ana Rosa.
A advogada defendeu soluções estruturais que passam pelo fortalecimento de fundos de fomento estaduais para estimular a concorrência bancária, forçando a redução das taxas de juros praticadas no campo. “Novas alternativas de produção só prosperam se o Estado atuar como um facilitador do desenvolvimento, desonerando quem produz”, completou.
Pioneirismo global e resultados práticos
O sistema que une pecuária e floresta vem sendo implantado de forma contínua pela TRC há três anos e tem apresentado resultados de ganho mútuo: além de diversificar a renda do pecuarista a longo prazo com madeira de alto valor agregado, o modelo acelera o crescimento das árvores em comparação ao monocultivo tradicional.
Durante a amostra, o CEO do grupo TRC, Sylvio Coutinho, relembrou a trajetória da cultura no estado, iniciada no começo da década de 1990. “O Mato Grosso se tornou o maior produtor de teca e o estado com a maior área plantada do Brasil e, por consequência, o maior produtor de teca do mundo. A maior parte da madeira exportada da América Latina sai daqui”, explicou Coutinho, destacando a geração de empregos e o fornecimento de matéria-prima sustentável tanto para o mercado interno quanto para a exportação.
Validação científica
Os aspectos técnicos e os benefícios ambientais do modelo silvipastoril foram apresentados pelos pesquisadores da Embrapa, Maurel Behling e Roberto Giolo, juntamente com o engenheiro agrônomo e pecuarista Arno Schneider. Os dados científicos validados pela instituição apontam quatro vantagens principais do sistema:
Conforto térmico, com a melhoria no bem-estar animal devido à disponibilidade de sombra; Recuperação ambiental, através da revitalização e conservação de solos degradados; Recursos hídricos, com o aumento na capacidade de retenção e absorção de água no solo e a Sustentabilidade com a geração e sequestro ativo de carbono.
Ao término do encontro, Sylvio Coutinho reforçou o panorama de resiliência que marca a atividade florestal no estado. “Temos muitas dificuldades, nada é fácil, mas temos muitas oportunidades também. Somos otimistas por natureza, com o pé no chão, avançando passo a passo. Acreditamos que há muito potencial para crescer”, concluiu o empresário.
Política MT
Mato Grosso terá programa de apadrinhamento para autistas; iniciativa é de Elizeu Nascimento
O Governo de Mato Grosso sancionou, no último dia 9, a Lei nº 13.433/2026, que institui o Programa Apadrinhe um Autista – Padrinho do Amor. A iniciativa tem como objetivo promover a inclusão social e oferecer apoio afetivo, educacional, social e material a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em situação de vulnerabilidade social, atendidos por instituições públicas ou conveniadas.
De autoria do deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo), a legislação estabelece que o apadrinhamento poderá ocorrer sem a criação de vínculo de filiação ou guarda, caracterizando-se como uma relação de apoio socioafetivo entre padrinhos e os jovens beneficiados.
Entre as finalidades do programa estão a promoção de experiências de convivência familiar e comunitária, o incentivo à participação da sociedade no processo de inclusão de pessoas com autismo, o fortalecimento de ações de assistência social, educação e saúde, além do estímulo a parcerias entre o poder público, entidades da sociedade civil e voluntários.
A lei prevê quatro modalidades de participação: apadrinhamento afetivo, voltado à convivência e ao fortalecimento de vínculos; material, por meio de apoio financeiro ou doações; educacional, com suporte às atividades pedagógicas e terapêuticas; e profissional ou institucional, realizado por empresas, organizações e profissionais liberais.
Poderão atuar como padrinhos pessoas físicas maiores de 18 anos, residentes em Mato Grosso e submetidas a avaliação psicossocial, além de pessoas jurídicas e entidades do terceiro setor que formalizem cooperação com o Estado.
A coordenação e regulamentação do programa ficarão sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), em parceria com as secretarias estaduais de Saúde e Educação e com o Poder Judiciário, por meio das Varas da Infância e Juventude. A implementação também deverá observar as diretrizes da Política Estadual de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, instituída em 2022.
Segundo o texto legal, o programa deverá respeitar os princípios da dignidade da pessoa humana, do melhor interesse da criança e do adolescente e da prioridade absoluta previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Poder Executivo terá prazo de 90 dias para regulamentar a nova legislação, que entrou em vigor na data de sua publicação.
Fonte: ALMT – MT
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