Defesa alegou excesso de prazo e pediu a revogação da prisão preventiva, mas magistrado apontou gravidade do crime, risco de fuga e permanência dos indícios que sustentam a acusação de feminicídio
A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva do advogado Cleber Figueiredo Lagreca, acusado de assassinar a empresária Elaine Stelatto Marques e tentar simular um afogamento para encobrir o crime ocorrido no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães.
A decisão foi proferida pelo juiz Leonísio Salles de Abreu Júnior, que negou o pedido da defesa para revogar a prisão ou substituí-la por medidas cautelares. Os advogados alegaram excesso de prazo na custódia e sustentaram que os fundamentos da prisão teriam sido enfraquecidos após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) afastar a acusação de estupro e a qualificadora de motivo torpe.
Ao analisar o pedido, o magistrado destacou que os autos principais do processo estão atualmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em razão de recurso especial interposto pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Ainda assim, decidiu se manifestar sobre o mérito para deixar claro que não há fatos novos capazes de justificar a soltura do réu.
Segundo a decisão, permanecem presentes os requisitos que fundamentaram a prisão preventiva. O juiz ressaltou a gravidade concreta dos fatos, os fortes indícios da prática do crime e a tentativa de fuga do acusado após tomar conhecimento da ordem de prisão.
A sentença de pronúncia que levou o caso ao Tribunal do Júri também foi citada pelo magistrado. Na decisão, foram considerados o modo de execução do crime, o histórico de violência doméstica atribuído ao acusado e o risco de que ele não seja localizado para responder aos atos processuais.
O juiz também rejeitou a alegação de excesso de prazo, afirmando que o processo avançou regularmente pelas fases de investigação, instrução, audiências e recursos, sem demora injustificada por parte do Judiciário. Conforme a decisão, parte da duração do processo decorreu de medidas apresentadas pela própria defesa.
Mesmo após a exclusão do crime de estupro e da qualificadora de motivo torpe pelo TJMT, Cleber continua respondendo por homicídio qualificado por feminicídio, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual.
Crime no Lago do Manso
Elaine Stelatto Marques foi morta em 19 de outubro de 2023 durante um passeio de lancha no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães.
Na época, Cleber afirmou que a empresária havia caído na água após amarrar uma corda à cintura para nadar com a embarcação em movimento, morrendo afogada.
Entretanto, perícias, exames técnicos e a reprodução simulada dos fatos contrariaram a versão apresentada pelo acusado e apontaram para a ocorrência de homicídio.
Após a decretação da prisão, Cleber permaneceu foragido por quase um ano. Ele foi localizado e preso em 28 de setembro de 2024, em um hotel no bairro Alvorada, em Cuiabá.
O processo aguarda a análise de recursos nas instâncias superiores antes da realização do julgamento pelo Tribunal do Júri.