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CASO RENATO NERY

“Matei porque fui contratado”, diz caseiro no júri por assassinato de advogado Renato Nery

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Caseiro que confessou matar Renato Nery vai a júri popular nesta quarta-feira (16)

O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva foi julgado pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (16), no Fórum de Cuiabá, pela morte do advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Renato Nery. O réu confessou ter efetuado os disparos que mataram o advogado em 5 de julho de 2024, em frente ao escritório da vítima, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, na Capital.

Alex é o primeiro dos réus a ser submetido ao júri popular pelo homicídio, após o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, concluir a fase de preparação do processo.

Durante a sessão, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apresentou cinco testemunhas para serem ouvidas em plenário e solicitou a apresentação dos objetos apreendidos durante as investigações, além da disponibilização de cópia digital dos autos aos jurados e da exibição dos depoimentos registrados na fase de instrução.

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A Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT), responsável pela defesa do acusado, concordou com a participação das testemunhas e pediu equipamentos para reprodução das mídias do processo, além da gravação integral dos debates realizados durante o julgamento.

O juiz autorizou a utilização dos recursos audiovisuais disponíveis no plenário e determinou que os objetos apreendidos permanecessem à disposição durante a sessão, com exceção de eventual arma de fogo, conforme normas da Corregedoria-Geral da Justiça. Também determinou que acusação e defesa apresentassem os antecedentes criminais do réu.

O pedido para gravação oficial dos debates foi negado pelo magistrado. Segundo a decisão, não existe previsão legal para o procedimento e o Judiciário não possui estrutura para armazenamento de gravações de longa duração. A defesa, porém, poderia fazer o registro por meios próprios, desde que mantido o sigilo dos jurados.

Crime teria sido encomendado

Conforme as investigações da Polícia Civil, Alex Roberto de Queiroz Silva teria sido contratado para matar Renato Nery mediante a promessa de pagamento de R$ 215 mil.

O advogado, de 72 anos, foi atingido por sete disparos na manhã de 5 de julho de 2024. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu na madrugada do dia seguinte.

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A investigação aponta que o crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo uma área de mais de 12 mil hectares em Novo São Joaquim, avaliada em mais de R$ 30 milhões. Os empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi são apontados como supostos mandantes do homicídio.

O sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira é acusado de atuar como intermediário entre os supostos mandantes e o executor dos disparos.

Também respondem ao processo os policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira. Segundo a acusação, eles teriam participado de uma tentativa de ocultar a arma utilizada no crime por meio da simulação de um confronto armado na região do Contorno Leste, em Cuiabá.

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Caseiro diz que recebeu R$ 100 mil para matar Renato Nery e afirma que aceitou crime por dívida

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Réu confesso afirmou que foi procurado pelo policial militar Heron Teixeira e que não teve contato com os supostos mandantes apontados pela investigação

O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva afirmou nesta quarta-feira (15), durante julgamento no Tribunal do Júri, que recebeu cerca de R$ 100 mil para executar o advogado Renato Gomes Nery e que aceitou participar do crime porque estava endividado e sofria pressão de agiotas.

Em depoimento no Fórum de Cuiabá, Alex, que confessou ter matado o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), afirmou aos jurados que soube da proposta por meio do policial militar Heron Teixeira Pena Vieira. Segundo ele, Heron teria informado que havia pessoas interessadas em contratar alguém para matar um advogado.

“Eu sou réu confesso, não teria por que mentir isso. Eu estava endividado, sofrendo pressão de agiota e da minha família. Eu estava num churrasco com o Heron e ele me falou que estavam querendo contratar alguém para matar um advogado. Aí eu pesquisei o nome do advogado e, dois dias depois, fui lá e atirei nele”, declarou.

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Alex afirmou ainda que desistiu de uma primeira tentativa porque teria se arrependido, mas retornou ao local no dia seguinte e executou Renato Nery.

Segundo o réu, após o assassinato, ele informou Heron sobre o crime e recebeu posteriormente o pagamento pelo serviço.

“Eu fui lá e matei o advogado. Depois falei para ele que matei o advogado. Aí ele falou que ia cobrar o pessoal, só que eu não sabia quem eram”, afirmou.

A declaração apresentada por Alex diverge parcialmente da versão sustentada pela investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

Conforme a acusação, o assassinato foi planejado por uma rede de envolvidos. Os empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi são apontados como mandantes do crime e teriam contratado policiais militares para organizar a execução, recrutar o executor, fornecer a arma e intermediar os pagamentos.

O delegado Bruno Abreu, titular da DHPP, afirmou antes do julgamento que a investigação reuniu provas que indicariam a participação de todos os envolvidos e apontou que os supostos mandantes teriam pago R$ 200 mil aos intermediários.

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Renato Gomes Nery foi assassinado em 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório de advocacia localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por disparos, chegou a ser socorrido, mas morreu horas depois.

Segundo o Ministério Público, a execução teria sido motivada por uma disputa judicial envolvendo uma área rural de mais de 12 mil hectares em Novo São Joaquim, avaliada em mais de R$ 30 milhões.

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