CRISE NO AGRO
Mato Grosso produz, mas falta espaço para estocar grãos; Diz Governador
Produção de grãos cresce em Mato Grosso, mas falta estrutura para armazenar quase 60% da safra
O governador Otaviano Pivetta afirmou que o Estado não possui recursos para investir na construção de armazéns destinados aos produtores rurais, mesmo diante do avanço expressivo da produção agrícola em Mato Grosso.
A declaração ocorre em meio a um cenário preocupante: cerca de 60% dos grãos colhidos no estado não têm estrutura adequada para estocagem, o que evidencia um gargalo histórico na logística.
Nos últimos anos, o volume produzido saltou de 50 milhões para 100 milhões de toneladas. Apesar do crescimento, a infraestrutura não acompanhou essa evolução, gerando dificuldades no campo.
Sem alternativas suficientes, produtores têm recorrido a soluções improvisadas, como o transporte imediato da produção ou o armazenamento a céu aberto durante o período seco.
De acordo com o chefe do Executivo, a tendência é que o problema leve cerca de dez anos para ser solucionado. Ele destacou ainda que, embora o estado seja referência nacional no agronegócio, enfrenta desafios para sustentar esse ritmo de expansão.
Pivetta também pontuou que a gestão estadual priorizou investimentos em rodovias nos últimos anos, facilitando o escoamento da produção até os portos.
Como possível saída, foram citadas linhas de crédito oferecidas por instituições financeiras, voltadas principalmente aos pequenos produtores. Já os grandes, segundo ele, possuem capacidade para investir por conta própria.
Agronegócio
Nova proposta pode destravar até R$ 800 bilhões em crédito para o agronegócio
A modernização do sistema de financiamento do agronegócio voltou ao centro da agenda política com a apresentação de um novo pacote de medidas que pode ampliar de forma significativa o volume de recursos disponíveis ao setor. Batizado de “Lei do Agro 3”, o conjunto de propostas foi apresentado à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e prevê mudanças estruturais no crédito rural e no acesso ao mercado de capitais.
A proposta nasce dentro da Câmara Temática de Modernização do Crédito Agropecuário (ModerCred), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e reúne ajustes em 11 frentes, incluindo a Cédula de Produto Rural (CPR), os fundos de investimento do agro, garantias, subvenções, títulos privados e acesso a capital estrangeiro.
O impacto potencial é relevante. Pelas estimativas apresentadas ao grupo, as mudanças podem permitir a incorporação de mais de R$ 800 bilhões em operações via CPR, ampliando o peso do mercado privado no financiamento da produção agrícola.
Hoje, o setor ainda depende fortemente do crédito subsidiado do Plano Safra. No mercado de capitais, a participação do agro gira em torno de 3%, segundo dados apresentados no encontro, o que indica amplo espaço para crescimento. A estratégia da proposta é justamente reduzir essa dependência, ampliando fontes alternativas de financiamento.
Entre os pontos centrais está a ampliação do uso de instrumentos privados e a melhoria das garantias, com ajustes legais que buscam dar mais segurança jurídica às operações. Também estão previstas mudanças para facilitar a entrada de capital estrangeiro, visto como uma fonte de recursos mais baratos em comparação às taxas praticadas no mercado doméstico.
Outro eixo relevante é a reorganização do sistema de registro de garantias e a padronização de custos cartoriais, temas que hoje encarecem e dificultam o acesso ao crédito, especialmente para médios produtores.
A proposta também dialoga com um dos principais gargalos atuais do setor: o endividamento rural. A expectativa é que a modernização do crédito ajude a criar novas alternativas de financiamento, reduzindo a pressão sobre os programas oficiais e abrindo espaço para reestruturação financeira de produtores.
Apesar do avanço na agenda de crédito, o ambiente regulatório ainda preocupa. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aponta que pontos importantes da reforma tributária seguem sem definição, especialmente em relação ao aproveitamento de créditos fiscais, à lista de insumos beneficiados e às obrigações acessórias do produtor rural.
Na avaliação do setor, a falta de clareza nesses pontos mantém a insegurança jurídica e pode elevar o custo de conformidade, afetando diretamente a competitividade do agro.
No conjunto, a chamada “Lei do Agro 3” sinaliza uma tentativa de mudança estrutural no financiamento do setor. Se avançar, a proposta pode reduzir a dependência de recursos públicos e ampliar o acesso a capital — mas o impacto dependerá da capacidade de transformar as medidas em regras efetivas e acessíveis ao produtor na ponta.
Fonte: Pensar Agro
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