RECEITA FACIL
Dia do Polvo: saiba como preparar o mestre dos mares
O Dia do Polvo, celebrado em 8 de outubro, é uma comemoração curiosa e divertida que surgiu na internet como uma forma de exaltar esse animal incrível, o polvo. Esse rei do mar é conhecido por sua inteligência. Embora não seja uma data ainda amplamente celebrada, algumas pessoas e comunidades online aproveitaram a data para compartilhar curiosidades, receitas e até memes envolvendo polvos.
O polvo tem três corações e sangue azul. Dois dos corações bombeiam sangue para as brânquias, enquanto o terceiro distribui o sangue oxigenado para o resto do corpo. E o sangue azul se deve à presença de hemocianina, uma proteína rica em cobre que transporta oxigênio de maneira eficiente em ambientes de baixa concentração de oxigênio, como o fundo do mar.
Eles também são mestres da camuflagem graças à sua pele que muda de cor para se misturar com o ambiente. Polvos podem se espremer por pequenas aberturas, graças à sua estrutura corporal flexível.
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Mas como descobriram que essa iguaria era comestível? Culturas do Mediterrâneo, como os gregos e os fenícios, tinham uma longa relação com o mar, e a pesca fazia parte de sua vida diária. Esses povos começaram a incluí-lo em suas dietas. Com o tempo, o polvo se tornou parte das tradições culinárias de várias civilizações, como a Grécia e o Japão, onde é um alimento básico.
Em várias culturas, o polvo tem um papel importante, seja na culinária, como no Japão e em Portugal, ou até em mitologias e lendas. Na culinária, o polvo é um ingrediente valorizado, especialmente em pratos mediterrâneos e asiáticos. Portugal, por exemplo, tem o famoso “polvo à lagareiro”, que é um prato delicioso à base de polvo assado com batatas (receita abaixo).
Basicamente, um polvo serve oito pessoas porque tem oito tentáculos. Mas eu prefiro dois tentáculos por pessoa. Se for um polvo miúdo, até três tentáculos por pessoa. Polvo é muito bom e um tentáculo extra nunca é demais. Use a cabeça do polvo para fazer uma salada vinagrete.
A primeira dica é escolher um polvo sabendo que o peso e tamanho dele vão diminuir pela metade. Ele é água pura. A parte boa é que essa água que ele solta vira um caldo maravilhoso para ser usado em algum risoto, por exemplo.
Cozinhar polvo pode parecer desafiador. Pode ficar borrachudo ou duro facilmente. Eu uso algumas dicas que fui aprendendo ao longo do tempo e sempre dá certo. Tem duas formas básicas de cozinhar polvo: na panela aberta, com cocção longa, ou rapidíssimo na panela de pressão.
Depois podemos “amaciar” a carne do polvo esfregando sal grosso e depois enxaguar bem. Outras dicas que eu coletei na internet nunca usei, como congelar o polvo antes de cozinhar (para mim não faz nenhum sentido!) ou bater com um martelo.
Outra dica para antes de cozinhar é como fazer a pele colorida do polvo não soltar. Dizem que precisa mergulhar em água quente e água com gelo. Eu já fiz, mas a pele soltou um pouco do mesmo jeito. Ou ainda só dar três mergulhos em água quente antes de colocar para cozinhar. Já fiz também e não faz muita diferença.
Ao cozinhar com a panela aberta, com água ou pouca água, um polvo de até dois quilos leva de 45 minutos a 1 hora para ficar pronto. Essa dica vale também para fazer como moqueca. Você vai sentindo se ele está pronto espetando um garfo. Dá segurança saber o ponto com a panela aberta e será praticamente impossível errar. Já na panela de pressão, você pode colocar ele inteiro, sem água, e deixar na panela depois de pegar pressão por 12 minutos.
Nos dois métodos, adicione sabor ao polvo. Coloque uma cebola cortada em quatro, folhas de louro, 1 dente de alho, pimenta do reino em grão, um quarto de copo de vinho branco, tomilho ou alecrim (pouco).
O polvo tem muito colágeno. Se você cozinhar e depois guardar, ele vai ficar todo grudadinho. Para finalizar o polvo depois de cozido, pode servir ele grelhado no azeite, refogado ou em salada tipo vinagrete. Se for grelhado ou refogado, finalize com pitadas de páprica picante ou defumada.
RECEITA
Polvo grelhado com batatas ao murro
Ingredientes:
– 1 polvo médio (limpo)
– 1 folha de louro
– 3 dentes de alho
– 1 cebola grande cortada ao meio
– 6 batatas pequenas (com casca)
– Azeite de oliva
– Sal e pimenta a gosto
– Salsinha picada
Modo de preparo:
Se o polvo não estiver limpo, retire os olhos, o bico e lave-o bem, especialmente nas ventosas, para remover qualquer sujeira ou areia. Retire toda a parte de dentro da “cabeça do polvo”. Deixe só a parte externa.
Cozinhe o polvo em água com louro e alho por cerca de 40 minutos ou até ficar macio. Ou na panela de pressão sem água, pois o polvo solta bastante líquido durante o cozimento. Feche a panela de pressão e leve ao fogo médio. Quando começar a pegar pressão (quando a válvula começar a chiar), conte 8 a 10 minutos para um polvo médio (até 1,5 kg). Para polvos maiores, você pode deixar de 10 a 12 minutos. Após o tempo de cozimento, desligue o fogo e espere a pressão sair naturalmente antes de abrir a panela.
Enquanto isso, cozinhe as batatas com casca até ficarem macias. Em seguida, pressione levemente cada uma para “quebrá-las”. Após cozinhar o polvo, grelhe-o em uma frigideira bem quente com azeite até dourar. Na mesma frigideira, doure as batatas já cozidas, regando com azeite e temperando com sal e pimenta. Finalize o prato com salsinha picada e um toque de limão.
25 PRATOS COM POLVO EM RESTAURANTES E BARES
Aby | @casacascais – Novidade no Jardim Europa, a casa de gastronomia contemporânea é privilegiada por um ambiente intimista e elegante. Tal excelência é replicada ao cardápio, elaborado pela chef Anna Albuquerque, que utiliza em seus pratos ingredientes de norte a sul do nosso país. No dia do polvo, a chef sugere o Polvo a Lagareiro (R$ 149,90) – polvo assado, azeite e alho. Servido com batatas ao murro e espinafre.
Ama.zo – Cozinha Peruana | @amazoperuano – São duas unidades do restaurante comandado pelo limenho Enrique Paredes: uma no centro de São Paulo, em um casarão histórico repleto de verde, e outra no Shopping Pátio Higienópolis, dotado de área externa. Em ambas, vale provar pratos que levam frutos do mar, em especial polvo. Um exemplo é o Cebiche y Pulpo (R$ 92), prato que combina pesca do dia marinada em molho de pimenta vermelha Rocoto, polvo na brasa, mousse de batata doce e mousse de abacate. Outra opção é o Pulpo al Olivo (R$ 85), um polvo grelhado e servido com carvão de palmito, azeite temperado de coentro e texturas de azeitona preta peruana, que acompanha tortilhas de milho roxo.
Agronegócio
Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil
O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.
O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.
Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.
A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.
No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.
O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.
Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.
“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.
Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.
A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.
Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.
A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.
Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.
O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.
Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.
Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.
O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.
Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.
O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.
Fonte: Pensar Agro
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