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Tribunal de Justiça de MT

TJMT aprova Programa de Integridade e Compliance para fortalecer ética e transparência na Justiça

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) deu um passo importante rumo ao fortalecimento da ética e da transparência institucional com a aprovação do Programa de Integridade e Compliance. A proposta foi aprovada por unanimidade durante a sessão administrativa do Órgão Especial realizada nesta quinta-feira (13 de novembro) e está alinhada à Resolução nº 410/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina a criação de programas de integridade no Poder Judiciário de todo o país.

O programa será implementado de forma gradativa e tem como público-alvo magistrados, servidores, estagiários, prestadores de serviço, fornecedores, agentes públicos de outros órgãos e usuários dos serviços judiciais e extrajudiciais. O objetivo é disseminar uma cultura institucional baseada na ética, prevenir riscos de corrupção, conflitos de interesse e fraudes, e garantir que o interesse público esteja sempre acima de qualquer interesse pessoal.

O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, destacou que a iniciativa reforça o compromisso da administração com uma gestão pública moderna, responsável e transparente.

“A aprovação do Programa de Integridade representa um marco na história administrativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Estamos institucionalizando uma cultura que vai muito além do cumprimento de regras, trata-se de consolidar valores como ética, transparência e responsabilidade pública. A sociedade confia na Justiça quando percebe que ela também se cobra integridade nas suas próprias ações. Esse é o compromisso da atual gestão: garantir que cada decisão, cada contrato e cada ato administrativo reflitam a honestidade e o respeito que o cidadão espera do Poder Judiciário”, afirmou o presidente.

Desembargador Jones Gattass tem cabelos curtos grisalhos, expressão séria, usa terno escuro, camisa clara e gravata roxa. Segura um microfone em sala iluminada, com cortinas verdes e equipamentos ao fundo, como computador e câmera.A coordenação do grupo de trabalho responsável pelo estudo e implantação do programa foi conduzida pelo desembargador Jones Gattass Dias, que também será o gestor de integridade do TJMT.

O desembargador destacou que o programa ultrapassa a ideia de um simples conjunto de normas e reforça valores essenciais à administração pública.

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“O Programa de Integridade é mais do que um conjunto de regras. Ele é uma ferramenta estratégica que reforça o compromisso do Tribunal com a ética, a transparência e a responsabilidade pública. Vivemos um tempo em que a confiança é o bem mais valioso de uma instituição pública. A integridade é o que garante essa confiança. Nosso foco é prevenir, e não apenas reagir a problemas”, pontuou o magistrado.

Ele também ressaltou que o modelo adotado pelo Tribunal foi construído com base em experiências consolidadas e ajustado à realidade mato-grossense, marcando um novo momento institucional.

“Buscamos experiências de outros tribunais e adaptamos o modelo à realidade de Mato Grosso. A integridade precisa estar enraizada na nossa cultura organizacional, do gabinete à portaria. O programa representa um novo ciclo para o Judiciário mato-grossense. Ele simboliza que estamos preparados para atuar com mais maturidade institucional, com ética, coerência e compromisso com o cidadão”, concluiu.

Por que criar o Programa de Integridade

O programa é uma resposta institucional aos riscos e desafios da administração pública contemporânea, como o assédio moral, o uso inadequado de redes sociais, vazamento de dados, irregularidades em licitações e favorecimento indevido. Sem mecanismos estruturados de integridade, o TJMT, assim como outras instituições públicas, ficaria vulnerável a danos à sua imagem e à confiança da sociedade.

Jones Gattass Dias lembrou que o programa reitera o compromisso do TJMT com boas práticas de governança e compliance, pilares reconhecidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e adotados em instituições públicas e privadas de todo o mundo.

Como o programa vai funcionar

O Programa de Integridade do TJMT será estruturado em seis pilares fundamentais:

  1. Comprometimento da alta administração – envolve o apoio e engajamento direto da Presidência e da cúpula do Tribunal;

  2. Gestão de riscos de integridade – identificação e mitigação de riscos éticos e institucionais;

  3. Políticas e procedimentos de integridade – criação de códigos de conduta e normas internas;

  4. Monitoramento e auditoria – acompanhamento constante das ações e dos resultados;

  5. Sustentabilidade, diversidade e inclusão – integração de valores sociais e ambientais;

  6. Comunicação e capacitação contínua – treinamentos e campanhas de conscientização sobre ética e conduta.

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Entre os instrumentos que vão compor o sistema estão o Código de Ética e Conduta, o Manual de Gestão de Riscos de Integridade, o Canal de Denúncias seguro e sigiloso, além de políticas específicas de prevenção à corrupção e conflitos de interesse.

Uma Comissão Gestora do Programa de Integridade será responsável por conduzir, monitorar e avaliar as ações. O grupo atuará de forma transversal, com reporte direto à Presidência do Tribunal, o que garante autonomia e foco na prevenção.

Construção colaborativa

A criação do programa foi resultado de um trabalho técnico e colaborativo. O grupo de estudos foi instituído pelas Portarias nº 1.679/2023 e 788/2024 e contou com visita técnica ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que já possui um modelo consolidado de integridade. Também houve acordo de cooperação técnica entre os tribunais e palestras e oficinas de capacitação com magistrados e servidores.

Benefícios esperados

Com o programa, o TJMT espera reforçar a confiança pública, reduzir riscos de irregularidades, melhorar a eficiência administrativa e fortalecer a imagem institucional. Além disso, a medida garante conformidade com as exigências do CNJ e contribui para a segurança jurídica e a transparência no exercício da função pública.

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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