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Comitiva Capixaba se encanta com inovação e tecnologia usadas pela Justiça de Mato Grosso

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Após dois dias intensos de imersão nas práticas e inovações da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, a comitiva capixaba, liderada pelo corregedor-eleito para o próximo biênio, desembargador Willian Silva, e pelo decano da Corte, Pedro Valls Feu Rosa, retornou ao Espírito Santo com a bagagem cheia de conhecimento e boas impressões.
 
A recepção ocorreu na manhã de quinta-feira (23), quando o corregedor-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargador Juvenal Pereira da Silva, juntamente com os juízes auxiliares Lídio Modesto, Christiane da Costa Marques, Emerson Cajango e Eduardo Calmon e o coordenador da CGJ, Flávio Paiva, receberam a equipe capixaba em um encontro no gabinete. A partir desse momento, teve início uma verdadeira imersão nos projetos e iniciativas que transformaram a Justiça mato-grossense, que conseguiu sair do último lugar do Ranking CNJ de Qualidade para conquistar o melhor Selo Ouro entre os Tribunais de médio porte, em uma década.
 
O coordenador da CGJ apresentou o atual Plano de Gestão da Corregedoria, destacando os principais projetos que impulsionaram o avanço da Justiça de Mato Grosso na avaliação do CNJ. Entre eles, a Central de Processamento Eletrônico (CPE), que vem se mostrando como uma ferramenta essencial, capaz de ser acionada a qualquer momento para lidar com demandas específicas e realizar o aferimento do desempenho de cada unidade judicial.
 
A presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Clarice Claudino, aproveitou uma pausa na agenda e deu boas-vindas a comitiva.
 
Inovações e Boas Práticas – No segundo dia de visita, os membros da equipe de transição conheceram a CPE e os departamentos que trabalham exclusivamente com números, proporcionando uma compreensão mais profunda do funcionamento dessas ferramentas. Cada diretora de cada departamento apresentou sua rotina e ferramentas usadas: Nilcemeire dos Santos Vilela falou sobro as atividades desenvolvidas junto ao Foro Extrajudicial (DFE), Manoeli Tenuta sobre o Departamento Judiciário Administrativo (DJA), Renata Bueno sobre Departamento de Aprimoramento da 1ª Instância (DAPI), Karine Lozich sobre o Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (DAJE), e a secretária-geral Elaine Zorgetti Pereira a Comissão Estadual Judiciária de Adoção de Mato Grosso (Ceja-MT).
 
Os integrantes do TJES conheceram vários departamentos, entre eles o Espaço Memória
 
O corregedor-geral da Justiça do TJMT, desembargador Juvenal Pereira da Silva, disse se sentir honrado em auxiliar os colegas do Espírito Santo na busca por aprimoramento: “É com uma grata satisfação que a CGJ recebeu a equipe do Espírito Santo para esse intercâmbio. Eles conheceram todos os nossos sistemas do foro extrajudicial e judicial e como funciona a nossa Central de Processamento Eletrônico, a CPE. Estamos sempre de portas abertas para compartilhar conhecimento e buscar melhoria na prestação da tutela jurisdicional.”
 
Ele ressaltou a importância do intercâmbio entre tribunais para melhorar o sistema de justiça em benefício dos cidadãos, destacando a troca de conhecimento entre as equipes.
 
Impressões positivas e compromisso com a inovação – Os visitantes, por sua vez, expressaram sua satisfação com o que foi apresentado. A juíza do TJES, Gisele Souza de Oliveira, enfatizou a ampliação de horizontes proporcionada pela visita a Mato Grosso, destacando a busca por resultados e efetividade na prestação da justiça como aspectos inspiradores. “O que mais nos chamou a atenção em Mato Grosso é a busca pelos resultados, pela efetividade na prestação da Justiça, a qualificação dos dados processuais e a meta em conquistar o Selo Diamante do CNJ. Vimos toda uma gestão voltada para resultados com o máximo aproveitamento dos recursos humanos e tecnológicos. Especificamente o NAE, Núcleo de Atuação Estratégica como uma ferramenta que pode ser alocada em unidades que apresentam alguma dificuldade, nos chamou bastante atenção”, citou.
 
O decano da Corte Capixaba, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, compartilhou sua impressão sobre a visita, destacando a mentalidade inovadora da justiça mato-grossense e expressando sua gratidão pela hospitalidade recebida. “Saímos da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso verdadeiramente impressionados e mais ricos do que quando chegamos, com excelentes referencias para implementação no Estado do Espírito Santo e de quebra encantados pelas hospitalidade e simpatia de Mato Grosso”, afirmou. “A frase do jornalista francês Émile de Girardin ‘Todo mundo fala de progresso, mas ninguém sai da rotina’, define o que é a humanidade. Estamos aqui em Mato Grosso para ver de perto, pessoalmente, um Tribunal de Justiça que saiu da rotina, que se destaca não apenas pelo uso da tecnologia, mas pela mentalidade que o rodeia”, completou.
 
Já o corregedor eleito para o próximo biênio do TJES, desembargador Willian Silva, enfatizou o objetivo da visita de transportar a expertise tecnológica de Mato Grosso para o Espírito Santo. Ele ressaltou a necessidade de conhecer as ferramentas mais recentes para melhorar a prestação jurisdicional no contexto da migração para o processo judicial eletrônico. “Nós ainda estamos na fase embrionária da instalação do PJE, apesar de quase todos os nossos processos físicos já terem migrados para o meio eletrônico, por isso precisamos o quanto antes conhecer os instrumentos mais recentes nesta área pois isso muda constantemente”, contextualizou.
 
“Estou muito satisfeito com a visita, o corregedor-geral, desembargador Juvenal Pereira e seus juízes auxiliares estão colaborando sobremaneira. Passaram para a minha equipe de transição muitas informações e dicas. Estamos anotando tudo, assistindo as apresentações. Depois vamos avaliar qual o tipo de ferramenta que se encaixa naquilo que nós temos, pois estamos começando agora”, antecipa. “Prometo que o que for implementado no Espírito Santo será devidamente creditado à CGJ do TJMT.”
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição das imagens: Foto 1 – Comitiva capixaba conhece CPE. Foto 2 – Corregedor apresenta Espaço Memória a comitiva capixaba. Foto 3 – corregedor eleito do TJES, desembargador Willian Silva, agradece hospitalidade mato-grossense.
 
Alcione dos Anjos/Fotos Ednilson Aguiar
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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