POR UNANIMIDADE
Ministério Público Estadual nega acordo e juiz acusado de venda de sentença pode perder aposentadoria
O Conselho Superior do Ministério Público do Estado (MPE), por unanimidade, negou celebrar um Acordo de Não Persecução Civel (ANPC) com o juiz Wendell Karielli Guedes Simplício, que corre o risco de ter a aposentadoria cassada por suposto ato de improbidade administrativa. O caso, que tramita no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Tribunal de Justiça do Estado, pode resultar na perda da aposentadoria compulsória do juiz, uma das punições mais severas previstas para membros da magistratura. A sessão ordinária ocorreu no dia 05 deste mês.
O magistrado é investigado por supostamente ter recebido vantagens indevidas em troca de decisões judiciais favoráveis a partes interessadas. A denúncia aponta indícios de negociações ilícitas que teriam comprometido a imparcialidade e a independência judicial. Caso seja condenado, o juiz poderá ser punido com a cassação da aposentadoria, perdendo integralmente os benefícios previdenciários obtidos durante a carreira.
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Wendell foi aposentado compulsoriamente pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em 2015, por participar de um esquema de venda de sentenças. Por conta disso, o MP ingressou com ação civil pública, com o objetivo de obter não só o ressarcimento ao erário, como também a perda da função e a consequente cassação da aposentadoria do magistrado.
Segundo o colegiado do MP, não há requisitos legais para a celebração de um acordo de transação civil, instrumento que poderia encerrar a ação mediante condições pactuadas. A decisão reforça que a gravidade dos fatos e a relevância do cargo ocupado tornam inviável qualquer forma de composição, devendo o processo seguir seu curso até o julgamento final.
O processo segue em tramitação, e novas audiências devem ser realizadas nos próximos meses. O MPMT afirma que continuará atuando para garantir a responsabilização e preservar a credibilidade do Judiciário.
Nos autos, a defesa buscou fazer um acordo para que o processo de improbidade administrativa fosse encerrado, mas o promotor de Justiça que atua no caso negou o pedido.
Em recurso ao Conselho Superior do Ministério Público, a defesa alegou que a ação civil pública causaria uma dupla punição, uma vez que Wendell já foi condenado pelos mesmos fatos ao ser aposentado de forma compulsória. Além disso, citou que o TJ julgou improcedente uma ação que visava a cassação da aposentadoria do juiz, ou seja, a matéria já estaria julgada. As alegações, no entanto, não prosperaram.
De acordo com o relator, procurador de Justiça Marcelo Ferra, a ação para anular a aposentadoria deve estar amparada em ação de improbidade administrativa.
Além disso, na situação do juiz investigado, não há o que se falar em “bis in idem”, pois a aposentadoria ocorreu na esfera administrativa e o pedido que requer o fim dos proventos tramita na esfera cível. “É diferente, porque acho que há duas hipóteses que pode haver a cassação da aposentadoria, que não é dupla punição, pois uma é a análise administrativa e outra é análise judiciária. A aposentadoria compulsória foi uma punição na esfera administrativa. Na judiciária, pode haver dois casos: na improbidade, que é o caso presente, que se reconhecer a improbidade, o juiz pode cassar a aposentadoria como consequência da improbidade, mas isso logicamente só no final da ação que é analisado; ou no caso de uma condenação criminal, que faz uma ação para verificar a compatibilidade da condenação criminal ou não com a continuidade da função”, destacou Marcelo Ferra.
Assim, o relator concluiu que não há como celebrar o ANPC, uma vez que a ação de improbidade visa justamente o fim da aposentadoria do magistrado.
Os demais membros do colegiado acompanharam Marcelo Ferra pelo desprovimento do recurso.
Tribunal de Justiça de MT
“Selo Imprensa por Elas” destaca adesão de veículos de comunicação e busca proteger mulheres
O troféu e o “Selo Imprensa Por Elas”, entregues aos 27 veículos de comunicação presentes no “Café com a Imprensa – Diálogo e Proteção à Mulher”, marcam o início de novas ações de enfrentamento à violência de gênero a serem desenvolvidas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso. O evento, realizado nesta quarta-feira (15) no Tribunal de Justiça, em Cuiabá, foi o primeiro passo para jornalistas e magistrados construírem juntos um protocolo de cobertura jornalística que proteja as vítimas da violência doméstica e feminicídio.
“Podemos juntos fazer uma transformação cultural. Precisamos do apoio e da parceria dos meios de comunicação para evitar que mais mulheres sejam mortas em seus ambientes íntimos. Esse encontro foi essencial para ouvirmos as dúvidas e sugestões dos profissionais presentes e debatermos questões sensíveis”, ressaltou a coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), desembargadora Maria Erotides Kneip.
Durante o café, foi distribuído o “Guia Rápido –Jornalismo que protege e dignifica” como primeira minuta de um trabalho maior a ser construído, conforme a juíza Ana Graziela Vaz de Campos, membro da Cemulher e vice-presidente do Fórum Nacional de Juízes e Juízas (Fonavid).
“O ‘Selo Imprensa Por Elas’ destaca os veículos que investem na qualificação de suas equipes e na melhora contínua da cobertura responsável dos casos de violência doméstica. Desse diálogo, vamos construir juntos um protocolo de cobertura jornalística para evitar o chamado efeito copycat, quando se divulga a forma como ocorreu o feminicídio e um caso gera outros similares”, pontuou.
Para a desembargadora Gabriela Knaul Albuquerque, a iniciativa tem como objetivos a “proteção da dignidade das mulheres, a prevenção da revitimização e o estímulo a práticas que contribuam para a responsabilização e reeducação de agressores, inclusive por meio de Grupos Reflexivos”.
Durante o evento, o delegado do Distrito Federal Marcelo Zago trouxe dados de pesquisa científica sobre os impactos da cobertura midiática sobre o assunto, bem como da violência de gênero e feminicídios.
Também estavam presentes o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira; os desembargadores Márcio Vidal e Jonnes Gattas; o secretário-geral do Tribunal de Justiça, juiz Agamenon Alcântara Moreno; a juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, que preside a Rede de Enfrentamento de Cuiabá; além dos juízes Marcos Terencio Agostinho Pires, de Cuiabá; Leonísio Salles de Abreu Júnior, de Chapada dos Guimarães; Rosângela Zacarkim, de Sinop; Suelen Barizon Hartmann, de Tangará da Serra; Djessica Giseli Kuntzer, de Pontes e Lacerda; Juliano Hermont Hermes da Silva, de Várzea Grande; Luciana Sittinieri Leon, de Rio Branco e Marcelo Sousa Melo Bento de Resende, de Barra do Garças.
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Autor: Lídice Lannes
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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