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OPERAÇÃO APOSTA PERDIDA

“Não há necessidade de prisão”, diz juiz ao soltar empresário do ‘tigrinho’ preso com arma furtada em 2024

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Wilton Wagner foi preso com arma furtada durante operação que apura lavagem de dinheiro e apostas ilegais

O empresário Wilton Wagner Magalhães deixou a prisão após pagar fiança de R$ 15 mil, após ser detido em flagrante durante a Operação Aposta Perdida, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso.

A decisão foi tomada pelo juiz Cássio Leite de Barros Netto, durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (23). O magistrado entendeu que não havia elementos suficientes para converter a prisão em preventiva.

“Não há necessidade de mantê-lo em prisão, tendo em vista não subsistir pressuposto para tal”, destacou o juiz em trecho da decisão.

Wilton foi preso por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e por estar com um armamento produto de furto. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência, no condomínio Florais da Mata, em Várzea Grande, os policiais encontraram uma pistola Glock G21 calibre .45, além de munições.

Segundo a investigação, a arma havia sido furtada em 2024, em um hotel de Cuiabá, e estava escondida em um cofre no imóvel.

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Apesar de considerar os fatos “reprováveis”, o magistrado ressaltou que a legislação permite que o investigado responda em liberdade quando não há risco às investigações ou à aplicação da lei penal.

Wilton declarou renda mensal de R$ 80 mil, o que foi levado em consideração para fixação da fiança em R$ 15 mil. O valor foi pago na manhã desta sexta-feira (24).

Além da fiança, ele deverá cumprir medidas cautelares, como comparecer aos atos do processo e informar eventual mudança de endereço.

Operação investiga esquema familiar

A Operação Aposta Perdida apura a atuação de um grupo familiar suspeito de envolvimento com lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online, conhecidos como “jogo do tigrinho”.

Além de Wilton, também são investigados a esposa dele, Jéssica Orben Vasconcelos Magalhães, a irmã dela, Williane Orben Vasconcelos Coutinho, e o empresário Erison Coutinho.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava redes sociais para promover plataformas de apostas ilegais, com promessas de ganhos fáceis, em um modelo com características de pirâmide financeira.

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Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias e redes sociais, além do sequestro de bens, que somam cerca de R$ 10 milhões.

As investigações seguem em andamento.

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Agronegócio

Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare

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Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.

O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.

A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.

A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.

Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.

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A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.

Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.

Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.

Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.

Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.

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O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.

Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.

Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.

Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.

Fonte: Pensar Agro

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