AGRO E INFRAESTRUTURA
Investidores se reúnem com governador e dizem estar impressionados com potencial de MT
O governador Mauro Mendes se reuniu, nesta terça-feira (28.01), com representantes de grandes empresas como XP Investimentos, Tarpon, Opportunity, SFA, Vista, Oceana e Pátria, para conversar sobre as potencialidades de investimentos em Mato Grosso.
De acordo com o head de Transportes da XP, Pedro Bruno, o grupo saiu “bastante impressionado” da reunião, na qual discutiram com o governador possibilidades de negócios em áreas como infraestrutura rodoviária e ferroviária, meio ambiente e agro.
“Esse grupo pertence a empresas relevantes, que atuam principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. A gente sai bastante impressionado com o que foi apresentado. O estado consegue agregar o lado positivo do mercado privado para a gestão pública. Então isso nos impressionou bastante, em especial os números que o governador apresentou”, relatou.
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Durante a conversa, Mauro mostrou os principais avanços na área de infraestrutura, com o estado tendo previsão de entregar mais de 6.500 quilômetros de asfalto novo até 2026 – dobrando a quilometragem de malha rodoviária que existia antes de 2019.
“Trabalhamos com a meta firme de também recuperar 4.500 de asfalto, entregar 343 pontes de concreto e substituir mais de 650 pontes de madeira por aduelas. Destravamos o antigo sonho da ferrovia e estamos asfaltando todo o trecho da antiga BR-174, que agora é MT-170. Sem contar a solução que demos para a BR-163, que é federal, mas que pegamos o problema para o nosso colo e já entregamos 100 quilômetros de duplicação”, relatou.
Para o governador, essas melhorias estão aliadas à segurança jurídica e fiscal do estado, que tem conseguido ano a ano manter o ritmo de investimentos acima de 15% de tudo o que arrecada.
“Estamos com seis lotes para concessão de rodovias, que devem ir a leilão nos próximos meses, e possuem grande viabilidade. Nosso agronegócio é o mais forte do país, e somos o único estado que pode dobrar a produção nos próximos anos, e tudo isso de forma sustentável. Temos oportunidades na produção de alimentos, na indústria de proteínas, na mineração, na Infraestrutura e nas concessões de rodovias”, citou.
Mauro também citou outras ações importantes do estado, como a construção de seis grandes hospitais, ampliação de 675 leitos de UTI e o salto na educação, que saiu de 22º para o 8º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).
“Também completamos 50 tentativas de invasão de terra que não deram certo, porque temos tolerância zero. E sabemos que é importante para o investidor saber que vai ter segurança jurídica na sua propriedade. Mato Grosso é um exemplo de Brasil que dá certo. É uma ilha de prosperidade. Vamos continuar crescendo em produtividade, tecnologia e sempre respeitando o meio ambiente”, completou.
Também participaram da agenda os secretários: Laice Souza (Comunicação) e Jordan Espíndola (Gabinete de Governo); e o presidente do MT Prev, Elliton Souza.
Agronegócio
Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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