Agronegócio
Cortes no monitoramento da gripe aviária causa preocupação global
Recentes cortes orçamentários promovidos pelo Departamento de Eficiência Governamental da administração de Donald Trump têm gerado apreensão quanto à eficácia do monitoramento da gripe aviária pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O USDA anunciou a eliminação de US$ 132 milhões em contratos, como parte de um esforço para reduzir gastos públicos considerados excessivos.
Hannah Connor, do Centro para a Diversidade Biológica, expressou preocupação: “Os americanos não têm como se proteger da gripe aviária, a menos que o governo Trump pare de reter irresponsavelmente as informações mais recentes sobre onde e como o vírus está se espalhando”.
Relatos indicam que o governo reduziu em cerca de 25% a equipe responsável pelo monitoramento da gripe aviária, embora haja informações de que parte desses funcionários esteja sendo recontratada.
Desde fevereiro de 2022, aproximadamente 159 milhões de aves comerciais foram perdidas devido à gripe aviária nos EUA, segundo dados do USDA. Essa situação resultou na diminuição da oferta de ovos e no aumento dos preços do produto em todo o país.
Situação global e reflexos no Brasil – A gripe aviária altamente patogênica tem se espalhado rapidamente pelo mundo, afetando aves domésticas e silvestres, além de mamíferos. Em janeiro de 2025, o Departamento de Agricultura dos EUA confirmou a detecção da cepa D1.1 do vírus H5N1 em gado leiteiro no estado de Nevada, marcando a primeira ocorrência conhecida em bovinos no país.
No Brasil, até o momento, não há registros de infecções humanas ou surtos em granjas comerciais. Entretanto, o país permanece em alerta máximo, implementando medidas preventivas para evitar a introdução e disseminação do vírus.
A ausência de surtos no território brasileiro tem fortalecido a posição do país no mercado internacional de carne de frango. Em 2025, as exportações brasileiras de frango devem aumentar significativamente, impulsionadas por surtos de gripe aviária em outros países que reduziram a oferta global.
Diante da expansão da gripe aviária, organizações internacionais de saúde animal enfatizam a necessidade de controles mais rigorosos para prevenir infecções humanas. A Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) destacou a importância de gerenciar o vírus em suas fontes animais e recomendou investimentos na monitoração do vírus entre aves silvestres e outros animais.
No Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária mantém esforços contínuos de vigilância e controle para preservar o status do país como livre da influenza aviária em aves comerciais.
A comunidade científica alerta que, embora a transmissão do vírus para humanos seja rara, a vigilância contínua e medidas preventivas são essenciais para mitigar riscos potenciais à saúde pública e garantir a segurança alimentar global.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócio
Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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